24 de outubro de 2008

O carteiro

Já pensaram que o carteiro conhece virtualmente tudo acerca da nossa vida?
Sabe em qua bancos temos contas, a que livraria, virtual ou real, compramos os livros, em que universidade estudamos (ou estudámos), para onde vão de férias os nossos familiares e amigos, que revistas e jornais lemos, o partido a que pertencemos, o clube de que somos sócios, a seguradora de que somos clientes, eventualmente, poderá ter pistas acerca da nossa profissão...

Enfim, se fosse noutros tempos o carteiro poderia ser perigosíssimo!


(imagem retirada de http://www.imaginations.org.uk/)



18 de outubro de 2008

Os deslumbrados

Já aqui uma vez fiz referência a um texto de José Pacheco Pereira publicado na Revista Sábado e no seu blog, o Abrupto. Hoje volto a fazê-lo, e coloco o link em baixo, porque me parece mais um daqueles alertas que julgo impossível deixar passar, e sobre o qual todos devemos reflectir.
Pacheco Pereira com a argúcia de pensamento, e solidez de conhecimentos, que lhe são conhecidas vem chamar a atenção para os deslumbrados da tecnologia, como o nosso Primeiro-Ministro, e muitos outros que aderiram à moda sem pensarem um pouco. Veja-se o caso do Magalhães. Crianças da escola primária, ou 1.º ciclo, terão direito a um pequeno computador portátil. Não será um por sala, será um para todas as crianças. Ora, e pergunto-me, mas então uma criança que aos 6 anos de idade vai para a 1.ª classe para aprender a ler e a escrever precisa de um computador portátil para quê? E mesmo as outras que frequentam a 2.ª ou 4.ª classe terão uma enorme necessidade de um computador portátil? Eu creio que claramente se está a pôr "o carro à frente dos bois", que tudo isto não passa de uma manobra propagandística do Governo, que colhe o aplauso dos fascinados pelo mundo onde a tecnologia deve ser omnipresente. Não estou com isto a negar a importância, o acrescento positivo que a tecnologia pode trazer ao ensino, mas corre-se um risco muito grande ao não se ensinar bem aquilo que é básico, para se passar logo aos gadgets e à utilização massiva da informática. É como construir uma casa pelo telhado.
Uma coisa era os meninos terem um computador na sua sala, cuja utilização o professor controlaria muito mais eficazmente e só introduziria esse elemento quando fosse mais adequado, outra coisa é os miúdos todos terem o computador à frente nas suas mesas. É como Pacheco Pereira diz, é no computador que vão aprender a escrever? Onde está o contacto físico com um papel, os lápis, o rabiscar? Não é necessário isto, caros deslumbrados tecnológicos? Eu digo é! E, quanto mim, e não descartando a existência de quadros interactivos, ou computadores presentes na sala de aula, a boa formação escolar será aquela que permite aos jovens ter sólidos conhecimentos de base, bem ancorados, para depois sim, saberem fazer uso da tecnologia, mas não começar com a tecnologia e deixar o básico, com a falsa crença de com o domínio da tecnologia vem o resto. Há dias vi algo que me deixou perplexo. Vi escrito num blog que o que interessava era que os jovens soubessem fazer uma boa pesquisa na internet, nos motores de busca, para fazerem um trabalho sobre um assunto qualquer. E fiquei perplexo porque pensei, pois muito bem, sabem fazer a pesquisa, encontram "n" informações sobre esse assunto, mas se não têm conhecimentos sólidos sobre as coisas, como é que vão ter capacidade crítica e de descernimento para avaliar a qualidade e a credibilidade da informação que têm à frente? É que, convenhamos, não podemos acreditar em tudo o que nos aparece na rede, até porque qualquer um de nós pode colocar qualquer tipo de informação a circular.
Não vejam nas minhas palavras uma rejeição da tecnologia, bem pelo contrário, acho que devemos é usá-la bem, para nos ajudar a um verdadeiro progresso civilizacional (com todas as suas componentes), e não sermos dominados por ela e tornarmo-nos reféns da mesma.
Mas leiam com a eloquência habitual as palavras brilhantes de José Pacheco Pereira:
http://abrupto.blogspot.com/2008/10/coisas-da-sbado-retratos-de-um-sonho.html
(imagem retirada de www.masternewmedia.org)

13 de outubro de 2008

"Sebastião come tudo, tudo, tudo" - II

O Governo da República Portuguesa, anunciou nos últimos meses mais uma série de investimentos com cifras astronómicas para o distrito de Lisboa: 2,1 mil milhões (sim) de euros para alguns municípios da chamada zona do Oeste e 348,4 milhões de euros para a cidade de Lisboa propriamente dita. E não, nem estou a falar do TGV.
No primeiro caso diz o Governo que se trata da compensação por o novo (e duvidoso) aeroporto de Lisboa não ir para a Ota. No segundo caso trata-se de mais um investimento massivo na cidade de Lisboa, que não carece de qualquer justificação: a Nova Alcântara, como o Governo lhe chamou. Neste caso há de tudo um pouco: enterramento dos quilómetros finais da linha de Cascais e várias obras no Porto de Lisboa.
Enquanto se anunciam milhões a perder de vista no distrito de Lisboa, no longíquo, medieval, e qui ça, onde ainda as pessoas se fazem transportar em jumentos, distrito de Braga, onde (sobre)vivem 800 mil almas (o dobro do que no distrito de Coimbra, por exemplo), há um Hospital Central no mesmo local há 500 anos, à espera de ser substituído há mais de 20 anos depois de incontáveis promessas, há a maior taxa de desemprego do país, há uma das menores fatias nacionais do "bolo" comunitário 2007-20013, há uma das maiores taxas de exportação de produção industrial do país, há uma linha férrea mal modernizada com dois "pontos negros" que fazem uma viagem de 53km demorar 1h10m, e outros exemplos poderiam ser dados. Isto acontece no distrito de Braga, que elege 18 Deputados à Assembleia da República (Leiria elege 10, por exemplo).

Desçamos um pouco a Sul, e encontremos essa também longíqua cidade do Porto. Ora, para os 2 milhões de almas que vivem na área metropolitana do Porto, o Governo da República Portuguesa diz que não há muito dinheiro para gastar no Metro do Porto. E isto, veja-se, quando o Metro do Porto é incomparavelmente mais barato que o Metro de Lisboa. No Porto 500 milhões de euros servem para fazer 40km de rede, em Lisboa, aproximadamente esse valor, serve para fazer 2,5km de linha entre a Baixa-Chiado e Santa Apolónia, e após 10 anos de obras. Em menos tempo o Metro do Porto conseguiu 60km de rede, 70 estações, e acima de tudo, mudar radicalmente a vida de muita gente.

Está fora de causa que Lisboa, enquanto capital do país, e paradeiro de muitas almas, tem uma proeminência natural. O que, para mim, é inconcebível, é que se continue a olhar para o resto do país como "paisagem", o que acaba por arrastar mais e mais pessoas para a área metropolitana de Lisboa, onde têm uma qualidade de vida muito questionável (horas passadas no trânsito, subúrbios inenarráveis, insegurança), e que nos núcleos populacionais de dimensão razoável, como Braga, o Governo acene com patacas, e que numa grande cidade, como o Porto, tudo seja conseguido a ferro e fogo em termos de investimento central.
Há muitos países onde a cidade mais importante em termos económicos nem é a capital do país. No entanto, nem defendo isso para Portugal. Defendo um desenvolvimento harmonioso, equilibrado, onde as pessoas não sejam desenraizadas, onde se promova uma competição saudável entre dois grandes pólos urbanos nacionais: o Porto e Lisboa, onde não se deixe metade do país no mais completo e total abandono. Experimentem ir por exemplo, uns dias ao distrito de Portalegre. Vejam o estado de abandono, de esquecimento, de tristeza em que se encontra aquela região. E de Norte a Sul do país o interior está assim.

Para quando um Portugal equilibrado, coeso, justo, solidário e com qualidade de vida para todos?

Links vários sobre os investimentos que referi em cima:
(imagem retirada de wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

25 de setembro de 2008

"Nos países nórdicos é que é"


Confesso que sempre que ouço alguém a dizer isto, fico logo à espera do resto. E o resto é que nos países nórdicos tudo é perfeito, tudo é organizado de maneira impecável, tudo é exemplar, em suma, uma sociedade modelo. Eu confesso que me repugna essa ideia da perfeição absoluta, não que não procure o perfeccionismo naquilo que faço, mas uma coisa é tentar ser sempre melhor, outra bem diferente é criar um ambiente artificial, onde se faz de conta que os problemas não existem, que tudo corre como no paraíso celestial. Ora, eu penso isso dos países nórdicos. Creio que são sociedades muito artificiais, onde o inconformismo humano foi domado, está mantido numa cerca, onde não há creatividade e a vida é acromática. Não que tenha dúvidas que haja muitas coisas que lá funcionam bem e que cá funcionam mal, não que duvide que podemos aprender coisas com eles. Agora, sou contra a ideia de decalcar soluções de lá para cá, e acima de tudo, sou contra uma sociedade dita perfeita, onde o espírito humano acaba por estar agrilhoado, apesar de parecer que não, e onde, de repente, há uma explosão na cerca, porque a contenção estava no limite, e um miúdo, com licença de uso e porte de arma, faz um vídeo exibicionista no You Tube, no dia seguinte mata dez colegas e a seguir mata-se a si próprio. Nos países nórdicos é que é...

E é também a Finlândia, de acordo com o jornal Público, que está no terceiro lugar do pódio do número de armas a nível mundial (andarão todos na caça grossa?), e é nos países nórdicos que se registam as mais altas taxas de suicídio da Europa. Nos países nórdicos é que é.

22 de setembro de 2008

"Sebastião come tudo, tudo, tudo" - I








A União Europeia criou, para a auxiliar em diversas tarefas, uma série de agências nos mais variados domínios. Apesar dessas agências não serem instituições da UE, não obstante terem sido criadas pela mesma, é óbvia a sua importância para a União e aquilo que representa, para qualquer Estado-Membro, ter a sede de uma delas no seu território.

Ora Portugal tem 2 agências sedeadas no seu território: a Agência Europeia para a Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (apesar de não ter o nome "agência" na essência é a mesma coisa), as duas com sede em Lisboa.

Agora veja-se um exemplo. A Grécia é sede de 3 agências: Agência Europeia da Reconstrução, Agência Europeia para a Segurança das Redes e Informação, e do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional.
Essas agências têm (ou irão ter) as suas sedes em Salónica (a primeira e a última) e Heráclion.

Veja-se outro exemplo ainda. A Espanha alberga 2 agências: Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho e o Centro de Satélites da União Europeia.
As suas sedes são, respectivamente, em Bilbau e Torrejón de Ardoz (arredores de Madrid).

Podia continuar a dar muitos outros exemplos, de países como a Alemanha, com uma agência em Colónia, ou a França, com outra em Lille, ou a Itália, com uma em Parma.
Não sei se já repararam, mas o "Sebastião" português colocou as duas agências em Lisboa. Nem aí foi capaz de dar uma oportunidade ao resto do território. Duvido que para Bruxelas faça alguma diferença que a sede de uma agência fique em Lisboa ou em Viana do Castelo (a marítima, por exemplo). A localização das sedes em Lisboa traz ganhos que a capital do nosso país já não precisa, e que podia bem partilhar com outras zonas do país, outras cidades mais pequenas. Nesses locais sim, poderiam representar um grande ganho. O interesse nacional já estava assegurado, as agências vieram para Portugal. Depois, porque é que não se fez como na Grécia, como na Espanha ou como na Alemanha? Porquê tudo para Lisboa? Porquê?
Na verdade, para os políticos estabelecidos em Lisboa, o resto do país é mesmo paisagem... Pena é que muitos se esqueçam depressa de onde vieram.

18 de setembro de 2008

Polémico

(www.uc.pt)


Eu concordo! Mas acho que vai levantar alguma polémica. Um investigador da Universidade de Coimbra, Carlos Barros Gonçalves, defendeu recentemente, na sua tese de doutoramento, que a tão propalada capacidade ética desportiva de forjar o carácter não passa de um mito. O investigador defende que para quem pratica desporto, o que interessa é mesmo a competição e os resultados, e que os treinadores não têm, em geral, qualquer preocupação formativa da dimensão humana dos atletas. Diz ainda o investigador da UC que os próprios pais podem desincentivar esta componente ética ao exigirem resultados aos filhos, para que sejam os melhores, já que as actividades desportivas são hoje a principal fatia das actividades extra-escola.


Quem quiser ler o artigo de Carlos Barros Gonçalves, publicado na Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, em que este resume o seu estudo, pode fazê-lo aqui:

Para quem preferir um resumo muito claro, e em termos leigos, das conclusões do estudo pode ler este documento publicado pela UC:

Ultraje

Nos dias que correm, podemos esperar tudo da comunicação social, mas mesmo tudo, no entanto, não perdem a capacidade de conseguir descer ainda mais baixo. Esta noite, no Telejornal da RTP1, e com grande probabilidade em todos os canais, foi mostrado um vídeo do malogrado vôo da Spanair do passado mês de Agosto. Parece que o dito vídeo foi parar às mãos do jornal El País e daí seguiu mundo.
Qual é o interesse jornalístico para as pessoas em geral a visualização deste vídeo? Nenhum. Rigorosamente nenhum. Isto serve uma vez mais a filosofia de sangue e circo com que os mass media nos querem habituar e em doses cada vez mais elevadas. O problema é que as pessoas já nem reagem, consideram normal que imagens deste tipo (poderiam ser de uma outra qualquer tragédia) nos entram casa adentro à hora do jantar. Temos de reagir, não podemos ficar de braços cruzados, quando a qualidade da informação chega a um patamar tal que tudo vale e a dignidade das pessoas é o que menos importa. Deixo-vos no fim deste post o link de onde podem mandar uma mensagem ao Provedor da RTP. Escrevam nem que seja duas linhas. Se ficarmos de braços cruzados os nossos filhos vão continuar a crescer com uma imprensa não formativa e informativa, mas sensacionalista, selvagem e que convida à estupidez mental.

Termino, explicitando o título deste post. A divulgação deste vídeo é um ultraje à memória dos que morreram, aos seus familiares mas também a nós. E a televisão pública deveria ser a primeira a ter um cuidado especial nestas matérias e a nem mostrar o vídeo. Quanto a mim, mudei de canal logo após o apresentador ter anunciado o que aí vinha.

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_telespectador/contactos.php

15 de setembro de 2008

"Acto" ou "Ato" - III




Recentemente li um livro que reunia as crónicas de Vasco Graça Moura sobre o famigerado acordo ortográfico, e fiquei ainda com mais certezas sobre este erro clamoroso que estamos a cometer.

Chamo a atenção para três pontos:

1. a questão das facultatividades;

2. as graves consequências para as editoras portuguesas;

3. só o Brasil ganha com este acordo.


1. Facultatividades


As facultatividades são um expediente previsto pelo acordo para casos de dúvida na escrita das palavras. O problema é que não há qualquer critério para decidir, cada um decide como entende! Está bom de ver a enorme confusão que isto vai trazer para a escrita da língua, mesmo dentro de uma mesma comunidade linguística/país. Como exemplo do ridículo transcrevo um excerto do acordo, para verem no que é que isto vai dar: "Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas "e" ou "o" estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais "m" ou "n" , conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo, Amazónia/Amazônia, António/Antônio,(...)".

Depois há o aspecto da abolição "c" e "p" mudos, mas que, de acordo com vários linguistas, têm uma importante função de revelar ao falante da língua como se pronúncia a palavra, e são testemunho da etimologia da mesma. Este último aspecto não é importante só por uma questão histórica mas por nos aproximar das outras línguas românicas e do inglês, pois muitas das suas palvras derivam do latim ou línguas românicas, o que torna a sua aprendizagem mais fácil.


2. Editoras portuguesas


Os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), seguem a norma portuguesa da língua, e a edição portuguesa tem aqui um importante mercado, onde já se encontra fortemente implantada. Ora como a maioria das mudanças, se o acordo for avante, se vai fazer no sentido de beneficiar a grafia brasileira da língua, as editoras deste país terão caminho aberto para entrar em África pois não precisam de efectuar nenhuma mudança nos seus manuais de ensino ou livros, ao contrário das nossas editoras, que poderão perder o mercado e gastar enormes quantias para actualização dos catálogos.


3. Brasil


O acordo foi lançado em 1986 pelo então Presidente Sarney do Brasil, e visava, como ainda visa hoje, fins económicos claros, como ficou visto acima. Não há mal nenhum que o Brasil olhe pela sua vida, o mal está em não sabermos olhar pela nossa, e adoptarmos uma postura marcada por um complexo de inferioridade ou pós-colonial. De resto como se pode assegurar a unidade da língua, como defendem os apoiantes do acordo, com casos como o que relatei no ponto 1?

Depois, dizem ainda os defensores do acordo, que se não cumprirmos este acordo, a norma portuguesa da língua está condenada, mas, e como muito bem diz Vasco Graça Moura, o acordo existe desde 1991 e ninguém em Portugal e em África o cumpriu, está a nossa maneira de falar e escrever moribunda por isso? Obviamente que não!


Todos estes pontos foram abordados de uma forma muito genérica (e pouco científica pois estou longe de ser linguista,) por isso se quiserem mais informação deixo-vos os dados do livro: "Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre" de Vasco Graça Moura, Alêtheia Editores

14 de setembro de 2008

Chavez



A América Latina parece estar a produzir uma nova "fornada" de ditadores. Chavez será a estrela mais brilhante desse mísero firmamento. O homem da camisa vermelha, que tomou o poder na Venezuela sem ninguém se importar muito, já demonstrou o seu populismo, demagogia, e espírito anti-democrático, no entanto, talvez por ser de esquerda, tem encontrado contemporização de vários líderes internacionais, especialmente aqui no Velho Continente. Ontem proferiu um discurso execrável para um chefe de Estado (na verdade não o é) em relação aos EUA, e expulsou o embaixador norte-americano no país. Aos poucos talvez vá mostrando aos mais cépticos que não é só folclore. Como se o plesbicito que organizou há cerca de um ano não tivesse ainda sido prova suficiente que isto é mesmo a sério...

A minha preocupação, para além da vida difícil que está a causar aos esforçados e trabalhadores emigrantes portugueses, é a de que dê origem, como parece que está a acontecer, a uma série de novos "caudillos" Sul Americanos, que como nos anos 80, tragam desestabilização aquela zona do globo e que em nada vão contribuir para o progresso dos seus cidadãos, mas antes para a delapidação dos seus recursos naturais, para não falar nos retrocessos em termos de cidadania e liberdades políticas.

E se a Europa continua a assobiar para o lado, ao mesmo tempo que não coopera com os EUA, pode ser que o Brasil, já com uma democracia estabilizada, tenha aqui um papel importante, defendendo a democracia, e pondo um travão nestes oportunistas, assim o queira.

12 de setembro de 2008

11 de Setembro de 2001


Foi há 7 anos atrás que assisti com incredulidade ao maior ataque terrorista de todos os tempos.

Alguns loucos (bastará este adjectivo?) pegaram em aviões comerciais e fizeram deles armas de extermínio, cometeram actos que julgo dificeís de catalogar, que nem a imaginação mais doentia conseguiria gizar... Caem dois arranha-céus, milhares de pessoas morrem, o mundo fica em estado de choque, e parece que se iniciou uma nova era nas relações internacionais.

Não mais viajamos de avião com líquidos trazidos de casa, em alguns aeroportos temos de tirar os sapatos, em algumas cidades a psicose securitária parece regra, tivemos Madrid 11/03 e Londres 7/05 e esperamos, com receio, qual será a próxima cidade a ser violada, houve a deposição dos talibãs, de Saddam e o crescendo de tensão com o Irão, e há neste momento, milhões de bandeiras dos Estados Unidos da América penduradas em postes, janelas, carros ou casas.

Não tenhamos dúvidas, não sejamos ingénuos, não caiamos em demagogias. Este terrorismo tem apenas um objectivo: acabar com o mundo livre. Querem acabar com as democracias e sociedades plurais, tolerantes, onde há respeito pelo outro, onde ninguém se eterniza no poder, onde podemos dizer o que pensámos e pensarmos o que quisermos, onde as mulheres não são inferiores aos homens, onde o Estado é o Estado e a Igreja é a Igreja, onde podemos sonhar e concretizar os nossos sonhos, onde podemos criar livremente, onde a justiça está nos tribunais, onde lá fundo do horizonte está sempre a dignidade da pessoa humana. É por isso que temos fome de civilização e progresso, para conseguirmos preservar a dignidade da pessoa humana.


Ao contrário, os loucos que perpretaram e executaram o 11 de Setembro, e outros ataques, querem que se instaure a sociedade do medo e da escravidão, em suma, a sociedade das trevas.


É por isso que temos e vamos prevalecer. É por isso que esta vai ser uma luta longa mas ganha. É por isso que não podemos ter medo.
(Foto de Stan Honda - AP)

10 de setembro de 2008

Um Portugal desconhecido


Partam à procura dele, vão ver que vale a pena.

(imagem retirada deste site)

17 de agosto de 2008

Save Miguel

(Imagem retirada de www.eb1-corticadas-lavre.rcts.pt)



Não sei bem de quem partiu a iniciativa, apesar de "suspeitar" da Amorim, mas visitem este interessante site que tem por objectivo salvar a indústria da cortiça e os sobreiros portugueses. Muito dinâmico, apelativo e interactivo e até tem o trailer de um filme com o actor americano Rob Schneider.

Vale a pena visitar!

http://www.savemiguel.com/