(Foto de Leffler, Warren K., retirada de http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Robert_Kennedy_speaking_before_a_crowd,_June_14,_1963.jpg)"Some men see things as they are and say why.I dream things that never were and say why not?"
Neste dia, há já 40 anos, alguém fez calar um sonhador. Um sonhador com ganas de tornar o sonho realidade. O ignóbil carrasco de Robert Kennedy fez com que a América e o mundo perdessem um político que parecia genuinamente empenhado em mudar o mundo, que parecia estar comprometido com os valores mais nobres da política, que lutava por causas que todos compreendiam e em relação às quais só se podia ter uma atitude: o apoio sem dúvidas ou tibiezas, abraçá-las com toda a sua convicção.
Dias antes desse vil homicídio outro acto igualmente espúrio tinha sido cometido: o assassinato de Martin Luther King. Sem dúvida os sonhadores estavam debaixo de fogo num ano em que não houve só "Maio de 68".
E hoje, o que resta do sonho destes e outros que morreram por aquilo em que acreditavam? No que diz respeito ao terrível problema da discriminação racial nos Estados Unidos creio que nenhuma destas mortes foi em vão. Já não é sequer passível de comparação a situação social que lá se viveu até aos anos 60 com a situação actual. E até na África do Sul se pos fim ao Aparthaeid.
E, finalmente, que melhor prova do que um candidato negro à Presidência dos Estados Unidos neste ano de 2008.
Quanto ao resto da mensagem de Robert Kennedy, acredito que boa parte dela continua actual. No final de contas o objectivo era um: promover a paz e o desenvolvimento no mundo. Dir-se-á que não foi o único a pugnar por isso, no entanto, a forma apaixonada como o fez, a maneira como acreditava, a coragem que demonstrava, a sua capacidade de liderança, a confiança que inspirava, a certeza de que ia conseguir, fez dele um político e uma pessoa difíceis de igualar, daqueles que só aparecem de vez em quando.
Neste tempo de relativismos, da política e dos políticos de plástico, talvez valha a pena reflectir se somos merecedores da herança de Homens como ele e se não deveríamos voltar àqueles valores que fazem da política (ou deveriam fazer) a mais nobre actividade do Homem.
"Few men are willing to brave the disapproval of their fellows, the censure of their colleagues, the wrath of their society. Moral courage is a rarer commodity than bravery in battle or great intelligence. Yet it is the one essential, vital quality for those who seek to change the world which yields most painfully to change. Aristotle tells us "At the Olympic games it is not the finest or the strongest men who are crowned, but those who enter the lists. . .so too in the life of the honorable and the good it is they who act rightly who win the prize." I believe that in this generation those with the courage to enter the conflict will find themselves with companions in every corner of the world."
Robert F. Kennedy - 6 de Junho de 1966 - Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul