5 de dezembro de 2008

O estado do "quarto poder"

Deixo aqui o link para um excelente texto de João César das Neves sobre o estado do jornalismo em Portugal. Muito da qualidade da democracia de um país depende da qualidade da sua imprensa. A portuguesa dos dias de hoje parece apenas querer viver na espuma do efémero.



(imagem retirada de www.clv.com.au)

12 de novembro de 2008

Manifestações - I

Dispõe a Constituição da República Portuguesa, de 1976, no seu artigo 45.º, n.º 2, "A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.". Este artigo, que tem por epígrafe "Direito de reunião e de manifestação", contém, como está bom de ver, um n.º 1 onde se refere o seguinte "Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização."

Mais atrás, no importantíssimo artigo 18.º, o legislador constitucional deixou plasmado no seu n.º 1, o seguinte: "Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas." (diferentes tamanhos do tipo de letra da minha autoria)

De notar que o artigo 45.º se encontra sob o Título II - Direitos, liberdades e garantias, e sob o Capítulo I - Direitos, liberdades e garantias pessoais.

Voltarei brevemente a este tema, mas para já, além da força destes preceitos da nossa Lei Fundamental, fica ainda a ideia de que as manifestações não carecem de qualquer autorização dos Governos Civis, tal como se vê pela leitura do artigo 18.º n.º 1.
Mas para já não me adianto mais.

6 de novembro de 2008

O fenómeno Obama - III

Barack Obama venceu as eleições de 4 de Novembro sem margem para dúvidas. Os eleitores acorreram em massa às urnas e deixaram o seu veredicto. E ao darem o mandato ao Senador Obama acreditaram na sua promessa de mudança. Acontece que as expectativas altíssimas e a histeria colectiva que existe à volta de Obama não lhe vão ser nada favoráveis. Dado que o nativo do Estado do Hawai não é o Messias, não irá fazer milagres nos próximos anos, ao contrário do que a emoção exacerbada dos seus apoiantes quer fazer querer.

Barack Obama fez um grande discurso na noite da vitória. Um discurso forte, apaixonado, que lembra os melhores valores da América, enfim um discurso que tem tudo para inspirar os seus concidadãos a esforçarem-se para construirem um país melhor. Espero que o novo Presidente dos EUA não perca o fulgor, e mais, espero sinceramente que me engane quanto ao facto de Obama ser um "embrulho" muito bonito e apaixonante, e no interior ser despojado de conteúdo. Espero sinceramente estar enganado. Mas a partir de 20 de Janeiro de 2009 começo a tirar as dúvidas, quando ele for empossado como o 44.º Presidente do país das oportunidades.

Entretanto, apesar de saber os riscos acrescidos que Obama corre, não deixou de me causar uma certa apreensão que num país com o património histórico de defesa das liberdades individuais e dos direitos civis e políticos, o novo Presidente (assim como qualquer candidato), tenha que ter à sua volta um sistema de segurança quase sufocante. No discurso da vitória, dois vidros à prova de bala envolviam toda a área onde Obama se encontrava.
(imagem retirada de www.thelondondailynews.com)

5 de novembro de 2008

John McCain

No dia do vencedor, falo do vencido. O candidato republicano à presidência dos EUA, John McCain, não era, ao contrário do que muitos ignorantes, e tão fanáticos quanto os fanáticos republicanos que existem, afirmavam, um clone de George W. Bush. Como o seu dicurso de derrota provou, John McCain é um político honrado e sério. Um homem com um grande currículo político, e um herói de guerra que devemos respeitar. Quantos de nós aguentariam um cativeiro de 5 anos e regressariam para uma carreira política digna de 50 anos?
Como já aqui disse anteriormente, as análises da imprensa em geral foram sempre bastante redutoras e simplistas em relação aos dois candidatos, pelo que não me pude considerar tão bem informado quanto poderia estar em relação aos dois homens (e também por não ter tempo para poder investigar mais por conta própria), mas pelas razões que apontei no último post, John McCain mereceria o meu voto se fosse americano.
Pela sua tenacidade, coragem contra adversidade (até no caminho para a nomeação republicana) McCain demonstrou qualidades de sobra para poder estar na Casa Branca. Mas como ele disse ontem, a partir de agora o caminho deve ser o do apoio ao novo Presidente eleito. Aliás, até por aqui se vê a dignidade do candidato. McCain não se bastou a reconhecer a derrota e a dar os parabéns da praxe a Obama, pediu empenhadamente que todos, não obstante as diferenças, ajudassem o novo Presidente, e de um modo muito eloquente falou do quanto foi importante a eleição de Obama em termos históricos. Aliás, e para muitos intelectuais de pacotilha que aí andam fiquem a saber, recordou quando, em 1901 o Presidente Theodore Roosevelt convidou Booker T. Washington (um líder negro que tinha sido escravo até aos 5 anos de idade) para jantar na Casa Branca, a primeira vez que tal aconteceu. E Roosevelt era republicano. Isto sou eu que acrescento.
Gostava até de saber se os discursos de derrota de candidatos democratas como John Kerry ou Al Gore terão sido de tanto fair play e hino ao espírito democrático.


Em suma, John McCain é um político com honra, e isso, neste mundo, é mais importante que qualquer derrota.
(imagem retirada de www.pastemagazine.com)

30 de outubro de 2008

O fenómeno Obama - II

Há algum tempo atrás referi aqui que as análises da imprensa portuguesa em relação aos candidatos à presidência dos EUA pecavam por redutoras e simplistas. De então para cá houve uma melhoria, até pelo maior espaço dedicado às eleições nos vários media, mas podia o trabalho jornalístico ter sido bem melhor. Ainda assim, e porque não tenho tempo para estar ligado 24h por dia à CNN ou outras, considero-me mais esclarecido do que quando escrevi o primeiro post sobre este tema. Realço até um programa de inusitada qualidade, o 60 Minutos, que passa na SIC Notícias (60 Minutes, da CBS) e que fez em menos de uma hora uma interessante viagem à vida dos candidatos e lhes dirigiu perguntas verdadeiramente interessantes na perspectiva do eleitorado.

Resumo as minhas impressões, destes meses de alguma atenção às eleições americanas.
Barack Obama:
excelente orador, tem carisma, consegue prender a atenção como ninguém, tem slogans com que todos concordamos.

John McCain:
ponderado, credível, inspira confiança, demonstra conhecimento dos dossiers e parece bastante mais realista que Obama.

De acordo com as sondagens Obama está com uma vantagem muito confortável e deverá sair vencedor das eleições. Se Obama se tornar Presidente dos Estados Unidos da América resta saber se concretizará a esperança de mudança que ele e todos os seus apoiantes prometem com veemência. Aliás, daqui a 4 anos, no fim do primeiro mandato, lembremo-nos bem do clima de euforia que rodeia a candidatura de Obama, da expectativa quase messiânica com que é anunciada. Não nos tenhamos memória apenas para o que nos convém.
(imagem retirada de www.agoravox.com)

24 de outubro de 2008

O carteiro

Já pensaram que o carteiro conhece virtualmente tudo acerca da nossa vida?
Sabe em qua bancos temos contas, a que livraria, virtual ou real, compramos os livros, em que universidade estudamos (ou estudámos), para onde vão de férias os nossos familiares e amigos, que revistas e jornais lemos, o partido a que pertencemos, o clube de que somos sócios, a seguradora de que somos clientes, eventualmente, poderá ter pistas acerca da nossa profissão...

Enfim, se fosse noutros tempos o carteiro poderia ser perigosíssimo!


(imagem retirada de http://www.imaginations.org.uk/)



18 de outubro de 2008

Os deslumbrados

Já aqui uma vez fiz referência a um texto de José Pacheco Pereira publicado na Revista Sábado e no seu blog, o Abrupto. Hoje volto a fazê-lo, e coloco o link em baixo, porque me parece mais um daqueles alertas que julgo impossível deixar passar, e sobre o qual todos devemos reflectir.
Pacheco Pereira com a argúcia de pensamento, e solidez de conhecimentos, que lhe são conhecidas vem chamar a atenção para os deslumbrados da tecnologia, como o nosso Primeiro-Ministro, e muitos outros que aderiram à moda sem pensarem um pouco. Veja-se o caso do Magalhães. Crianças da escola primária, ou 1.º ciclo, terão direito a um pequeno computador portátil. Não será um por sala, será um para todas as crianças. Ora, e pergunto-me, mas então uma criança que aos 6 anos de idade vai para a 1.ª classe para aprender a ler e a escrever precisa de um computador portátil para quê? E mesmo as outras que frequentam a 2.ª ou 4.ª classe terão uma enorme necessidade de um computador portátil? Eu creio que claramente se está a pôr "o carro à frente dos bois", que tudo isto não passa de uma manobra propagandística do Governo, que colhe o aplauso dos fascinados pelo mundo onde a tecnologia deve ser omnipresente. Não estou com isto a negar a importância, o acrescento positivo que a tecnologia pode trazer ao ensino, mas corre-se um risco muito grande ao não se ensinar bem aquilo que é básico, para se passar logo aos gadgets e à utilização massiva da informática. É como construir uma casa pelo telhado.
Uma coisa era os meninos terem um computador na sua sala, cuja utilização o professor controlaria muito mais eficazmente e só introduziria esse elemento quando fosse mais adequado, outra coisa é os miúdos todos terem o computador à frente nas suas mesas. É como Pacheco Pereira diz, é no computador que vão aprender a escrever? Onde está o contacto físico com um papel, os lápis, o rabiscar? Não é necessário isto, caros deslumbrados tecnológicos? Eu digo é! E, quanto mim, e não descartando a existência de quadros interactivos, ou computadores presentes na sala de aula, a boa formação escolar será aquela que permite aos jovens ter sólidos conhecimentos de base, bem ancorados, para depois sim, saberem fazer uso da tecnologia, mas não começar com a tecnologia e deixar o básico, com a falsa crença de com o domínio da tecnologia vem o resto. Há dias vi algo que me deixou perplexo. Vi escrito num blog que o que interessava era que os jovens soubessem fazer uma boa pesquisa na internet, nos motores de busca, para fazerem um trabalho sobre um assunto qualquer. E fiquei perplexo porque pensei, pois muito bem, sabem fazer a pesquisa, encontram "n" informações sobre esse assunto, mas se não têm conhecimentos sólidos sobre as coisas, como é que vão ter capacidade crítica e de descernimento para avaliar a qualidade e a credibilidade da informação que têm à frente? É que, convenhamos, não podemos acreditar em tudo o que nos aparece na rede, até porque qualquer um de nós pode colocar qualquer tipo de informação a circular.
Não vejam nas minhas palavras uma rejeição da tecnologia, bem pelo contrário, acho que devemos é usá-la bem, para nos ajudar a um verdadeiro progresso civilizacional (com todas as suas componentes), e não sermos dominados por ela e tornarmo-nos reféns da mesma.
Mas leiam com a eloquência habitual as palavras brilhantes de José Pacheco Pereira:
http://abrupto.blogspot.com/2008/10/coisas-da-sbado-retratos-de-um-sonho.html
(imagem retirada de www.masternewmedia.org)

13 de outubro de 2008

"Sebastião come tudo, tudo, tudo" - II

O Governo da República Portuguesa, anunciou nos últimos meses mais uma série de investimentos com cifras astronómicas para o distrito de Lisboa: 2,1 mil milhões (sim) de euros para alguns municípios da chamada zona do Oeste e 348,4 milhões de euros para a cidade de Lisboa propriamente dita. E não, nem estou a falar do TGV.
No primeiro caso diz o Governo que se trata da compensação por o novo (e duvidoso) aeroporto de Lisboa não ir para a Ota. No segundo caso trata-se de mais um investimento massivo na cidade de Lisboa, que não carece de qualquer justificação: a Nova Alcântara, como o Governo lhe chamou. Neste caso há de tudo um pouco: enterramento dos quilómetros finais da linha de Cascais e várias obras no Porto de Lisboa.
Enquanto se anunciam milhões a perder de vista no distrito de Lisboa, no longíquo, medieval, e qui ça, onde ainda as pessoas se fazem transportar em jumentos, distrito de Braga, onde (sobre)vivem 800 mil almas (o dobro do que no distrito de Coimbra, por exemplo), há um Hospital Central no mesmo local há 500 anos, à espera de ser substituído há mais de 20 anos depois de incontáveis promessas, há a maior taxa de desemprego do país, há uma das menores fatias nacionais do "bolo" comunitário 2007-20013, há uma das maiores taxas de exportação de produção industrial do país, há uma linha férrea mal modernizada com dois "pontos negros" que fazem uma viagem de 53km demorar 1h10m, e outros exemplos poderiam ser dados. Isto acontece no distrito de Braga, que elege 18 Deputados à Assembleia da República (Leiria elege 10, por exemplo).

Desçamos um pouco a Sul, e encontremos essa também longíqua cidade do Porto. Ora, para os 2 milhões de almas que vivem na área metropolitana do Porto, o Governo da República Portuguesa diz que não há muito dinheiro para gastar no Metro do Porto. E isto, veja-se, quando o Metro do Porto é incomparavelmente mais barato que o Metro de Lisboa. No Porto 500 milhões de euros servem para fazer 40km de rede, em Lisboa, aproximadamente esse valor, serve para fazer 2,5km de linha entre a Baixa-Chiado e Santa Apolónia, e após 10 anos de obras. Em menos tempo o Metro do Porto conseguiu 60km de rede, 70 estações, e acima de tudo, mudar radicalmente a vida de muita gente.

Está fora de causa que Lisboa, enquanto capital do país, e paradeiro de muitas almas, tem uma proeminência natural. O que, para mim, é inconcebível, é que se continue a olhar para o resto do país como "paisagem", o que acaba por arrastar mais e mais pessoas para a área metropolitana de Lisboa, onde têm uma qualidade de vida muito questionável (horas passadas no trânsito, subúrbios inenarráveis, insegurança), e que nos núcleos populacionais de dimensão razoável, como Braga, o Governo acene com patacas, e que numa grande cidade, como o Porto, tudo seja conseguido a ferro e fogo em termos de investimento central.
Há muitos países onde a cidade mais importante em termos económicos nem é a capital do país. No entanto, nem defendo isso para Portugal. Defendo um desenvolvimento harmonioso, equilibrado, onde as pessoas não sejam desenraizadas, onde se promova uma competição saudável entre dois grandes pólos urbanos nacionais: o Porto e Lisboa, onde não se deixe metade do país no mais completo e total abandono. Experimentem ir por exemplo, uns dias ao distrito de Portalegre. Vejam o estado de abandono, de esquecimento, de tristeza em que se encontra aquela região. E de Norte a Sul do país o interior está assim.

Para quando um Portugal equilibrado, coeso, justo, solidário e com qualidade de vida para todos?

Links vários sobre os investimentos que referi em cima:
(imagem retirada de wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

25 de setembro de 2008

"Nos países nórdicos é que é"


Confesso que sempre que ouço alguém a dizer isto, fico logo à espera do resto. E o resto é que nos países nórdicos tudo é perfeito, tudo é organizado de maneira impecável, tudo é exemplar, em suma, uma sociedade modelo. Eu confesso que me repugna essa ideia da perfeição absoluta, não que não procure o perfeccionismo naquilo que faço, mas uma coisa é tentar ser sempre melhor, outra bem diferente é criar um ambiente artificial, onde se faz de conta que os problemas não existem, que tudo corre como no paraíso celestial. Ora, eu penso isso dos países nórdicos. Creio que são sociedades muito artificiais, onde o inconformismo humano foi domado, está mantido numa cerca, onde não há creatividade e a vida é acromática. Não que tenha dúvidas que haja muitas coisas que lá funcionam bem e que cá funcionam mal, não que duvide que podemos aprender coisas com eles. Agora, sou contra a ideia de decalcar soluções de lá para cá, e acima de tudo, sou contra uma sociedade dita perfeita, onde o espírito humano acaba por estar agrilhoado, apesar de parecer que não, e onde, de repente, há uma explosão na cerca, porque a contenção estava no limite, e um miúdo, com licença de uso e porte de arma, faz um vídeo exibicionista no You Tube, no dia seguinte mata dez colegas e a seguir mata-se a si próprio. Nos países nórdicos é que é...

E é também a Finlândia, de acordo com o jornal Público, que está no terceiro lugar do pódio do número de armas a nível mundial (andarão todos na caça grossa?), e é nos países nórdicos que se registam as mais altas taxas de suicídio da Europa. Nos países nórdicos é que é.

22 de setembro de 2008

"Sebastião come tudo, tudo, tudo" - I








A União Europeia criou, para a auxiliar em diversas tarefas, uma série de agências nos mais variados domínios. Apesar dessas agências não serem instituições da UE, não obstante terem sido criadas pela mesma, é óbvia a sua importância para a União e aquilo que representa, para qualquer Estado-Membro, ter a sede de uma delas no seu território.

Ora Portugal tem 2 agências sedeadas no seu território: a Agência Europeia para a Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (apesar de não ter o nome "agência" na essência é a mesma coisa), as duas com sede em Lisboa.

Agora veja-se um exemplo. A Grécia é sede de 3 agências: Agência Europeia da Reconstrução, Agência Europeia para a Segurança das Redes e Informação, e do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional.
Essas agências têm (ou irão ter) as suas sedes em Salónica (a primeira e a última) e Heráclion.

Veja-se outro exemplo ainda. A Espanha alberga 2 agências: Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho e o Centro de Satélites da União Europeia.
As suas sedes são, respectivamente, em Bilbau e Torrejón de Ardoz (arredores de Madrid).

Podia continuar a dar muitos outros exemplos, de países como a Alemanha, com uma agência em Colónia, ou a França, com outra em Lille, ou a Itália, com uma em Parma.
Não sei se já repararam, mas o "Sebastião" português colocou as duas agências em Lisboa. Nem aí foi capaz de dar uma oportunidade ao resto do território. Duvido que para Bruxelas faça alguma diferença que a sede de uma agência fique em Lisboa ou em Viana do Castelo (a marítima, por exemplo). A localização das sedes em Lisboa traz ganhos que a capital do nosso país já não precisa, e que podia bem partilhar com outras zonas do país, outras cidades mais pequenas. Nesses locais sim, poderiam representar um grande ganho. O interesse nacional já estava assegurado, as agências vieram para Portugal. Depois, porque é que não se fez como na Grécia, como na Espanha ou como na Alemanha? Porquê tudo para Lisboa? Porquê?
Na verdade, para os políticos estabelecidos em Lisboa, o resto do país é mesmo paisagem... Pena é que muitos se esqueçam depressa de onde vieram.

18 de setembro de 2008

Polémico

(www.uc.pt)


Eu concordo! Mas acho que vai levantar alguma polémica. Um investigador da Universidade de Coimbra, Carlos Barros Gonçalves, defendeu recentemente, na sua tese de doutoramento, que a tão propalada capacidade ética desportiva de forjar o carácter não passa de um mito. O investigador defende que para quem pratica desporto, o que interessa é mesmo a competição e os resultados, e que os treinadores não têm, em geral, qualquer preocupação formativa da dimensão humana dos atletas. Diz ainda o investigador da UC que os próprios pais podem desincentivar esta componente ética ao exigirem resultados aos filhos, para que sejam os melhores, já que as actividades desportivas são hoje a principal fatia das actividades extra-escola.


Quem quiser ler o artigo de Carlos Barros Gonçalves, publicado na Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, em que este resume o seu estudo, pode fazê-lo aqui:

Para quem preferir um resumo muito claro, e em termos leigos, das conclusões do estudo pode ler este documento publicado pela UC:

Ultraje

Nos dias que correm, podemos esperar tudo da comunicação social, mas mesmo tudo, no entanto, não perdem a capacidade de conseguir descer ainda mais baixo. Esta noite, no Telejornal da RTP1, e com grande probabilidade em todos os canais, foi mostrado um vídeo do malogrado vôo da Spanair do passado mês de Agosto. Parece que o dito vídeo foi parar às mãos do jornal El País e daí seguiu mundo.
Qual é o interesse jornalístico para as pessoas em geral a visualização deste vídeo? Nenhum. Rigorosamente nenhum. Isto serve uma vez mais a filosofia de sangue e circo com que os mass media nos querem habituar e em doses cada vez mais elevadas. O problema é que as pessoas já nem reagem, consideram normal que imagens deste tipo (poderiam ser de uma outra qualquer tragédia) nos entram casa adentro à hora do jantar. Temos de reagir, não podemos ficar de braços cruzados, quando a qualidade da informação chega a um patamar tal que tudo vale e a dignidade das pessoas é o que menos importa. Deixo-vos no fim deste post o link de onde podem mandar uma mensagem ao Provedor da RTP. Escrevam nem que seja duas linhas. Se ficarmos de braços cruzados os nossos filhos vão continuar a crescer com uma imprensa não formativa e informativa, mas sensacionalista, selvagem e que convida à estupidez mental.

Termino, explicitando o título deste post. A divulgação deste vídeo é um ultraje à memória dos que morreram, aos seus familiares mas também a nós. E a televisão pública deveria ser a primeira a ter um cuidado especial nestas matérias e a nem mostrar o vídeo. Quanto a mim, mudei de canal logo após o apresentador ter anunciado o que aí vinha.

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_telespectador/contactos.php

15 de setembro de 2008

"Acto" ou "Ato" - III




Recentemente li um livro que reunia as crónicas de Vasco Graça Moura sobre o famigerado acordo ortográfico, e fiquei ainda com mais certezas sobre este erro clamoroso que estamos a cometer.

Chamo a atenção para três pontos:

1. a questão das facultatividades;

2. as graves consequências para as editoras portuguesas;

3. só o Brasil ganha com este acordo.


1. Facultatividades


As facultatividades são um expediente previsto pelo acordo para casos de dúvida na escrita das palavras. O problema é que não há qualquer critério para decidir, cada um decide como entende! Está bom de ver a enorme confusão que isto vai trazer para a escrita da língua, mesmo dentro de uma mesma comunidade linguística/país. Como exemplo do ridículo transcrevo um excerto do acordo, para verem no que é que isto vai dar: "Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas "e" ou "o" estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais "m" ou "n" , conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo, Amazónia/Amazônia, António/Antônio,(...)".

Depois há o aspecto da abolição "c" e "p" mudos, mas que, de acordo com vários linguistas, têm uma importante função de revelar ao falante da língua como se pronúncia a palavra, e são testemunho da etimologia da mesma. Este último aspecto não é importante só por uma questão histórica mas por nos aproximar das outras línguas românicas e do inglês, pois muitas das suas palvras derivam do latim ou línguas românicas, o que torna a sua aprendizagem mais fácil.


2. Editoras portuguesas


Os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), seguem a norma portuguesa da língua, e a edição portuguesa tem aqui um importante mercado, onde já se encontra fortemente implantada. Ora como a maioria das mudanças, se o acordo for avante, se vai fazer no sentido de beneficiar a grafia brasileira da língua, as editoras deste país terão caminho aberto para entrar em África pois não precisam de efectuar nenhuma mudança nos seus manuais de ensino ou livros, ao contrário das nossas editoras, que poderão perder o mercado e gastar enormes quantias para actualização dos catálogos.


3. Brasil


O acordo foi lançado em 1986 pelo então Presidente Sarney do Brasil, e visava, como ainda visa hoje, fins económicos claros, como ficou visto acima. Não há mal nenhum que o Brasil olhe pela sua vida, o mal está em não sabermos olhar pela nossa, e adoptarmos uma postura marcada por um complexo de inferioridade ou pós-colonial. De resto como se pode assegurar a unidade da língua, como defendem os apoiantes do acordo, com casos como o que relatei no ponto 1?

Depois, dizem ainda os defensores do acordo, que se não cumprirmos este acordo, a norma portuguesa da língua está condenada, mas, e como muito bem diz Vasco Graça Moura, o acordo existe desde 1991 e ninguém em Portugal e em África o cumpriu, está a nossa maneira de falar e escrever moribunda por isso? Obviamente que não!


Todos estes pontos foram abordados de uma forma muito genérica (e pouco científica pois estou longe de ser linguista,) por isso se quiserem mais informação deixo-vos os dados do livro: "Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre" de Vasco Graça Moura, Alêtheia Editores

14 de setembro de 2008

Chavez



A América Latina parece estar a produzir uma nova "fornada" de ditadores. Chavez será a estrela mais brilhante desse mísero firmamento. O homem da camisa vermelha, que tomou o poder na Venezuela sem ninguém se importar muito, já demonstrou o seu populismo, demagogia, e espírito anti-democrático, no entanto, talvez por ser de esquerda, tem encontrado contemporização de vários líderes internacionais, especialmente aqui no Velho Continente. Ontem proferiu um discurso execrável para um chefe de Estado (na verdade não o é) em relação aos EUA, e expulsou o embaixador norte-americano no país. Aos poucos talvez vá mostrando aos mais cépticos que não é só folclore. Como se o plesbicito que organizou há cerca de um ano não tivesse ainda sido prova suficiente que isto é mesmo a sério...

A minha preocupação, para além da vida difícil que está a causar aos esforçados e trabalhadores emigrantes portugueses, é a de que dê origem, como parece que está a acontecer, a uma série de novos "caudillos" Sul Americanos, que como nos anos 80, tragam desestabilização aquela zona do globo e que em nada vão contribuir para o progresso dos seus cidadãos, mas antes para a delapidação dos seus recursos naturais, para não falar nos retrocessos em termos de cidadania e liberdades políticas.

E se a Europa continua a assobiar para o lado, ao mesmo tempo que não coopera com os EUA, pode ser que o Brasil, já com uma democracia estabilizada, tenha aqui um papel importante, defendendo a democracia, e pondo um travão nestes oportunistas, assim o queira.

12 de setembro de 2008

11 de Setembro de 2001


Foi há 7 anos atrás que assisti com incredulidade ao maior ataque terrorista de todos os tempos.

Alguns loucos (bastará este adjectivo?) pegaram em aviões comerciais e fizeram deles armas de extermínio, cometeram actos que julgo dificeís de catalogar, que nem a imaginação mais doentia conseguiria gizar... Caem dois arranha-céus, milhares de pessoas morrem, o mundo fica em estado de choque, e parece que se iniciou uma nova era nas relações internacionais.

Não mais viajamos de avião com líquidos trazidos de casa, em alguns aeroportos temos de tirar os sapatos, em algumas cidades a psicose securitária parece regra, tivemos Madrid 11/03 e Londres 7/05 e esperamos, com receio, qual será a próxima cidade a ser violada, houve a deposição dos talibãs, de Saddam e o crescendo de tensão com o Irão, e há neste momento, milhões de bandeiras dos Estados Unidos da América penduradas em postes, janelas, carros ou casas.

Não tenhamos dúvidas, não sejamos ingénuos, não caiamos em demagogias. Este terrorismo tem apenas um objectivo: acabar com o mundo livre. Querem acabar com as democracias e sociedades plurais, tolerantes, onde há respeito pelo outro, onde ninguém se eterniza no poder, onde podemos dizer o que pensámos e pensarmos o que quisermos, onde as mulheres não são inferiores aos homens, onde o Estado é o Estado e a Igreja é a Igreja, onde podemos sonhar e concretizar os nossos sonhos, onde podemos criar livremente, onde a justiça está nos tribunais, onde lá fundo do horizonte está sempre a dignidade da pessoa humana. É por isso que temos fome de civilização e progresso, para conseguirmos preservar a dignidade da pessoa humana.


Ao contrário, os loucos que perpretaram e executaram o 11 de Setembro, e outros ataques, querem que se instaure a sociedade do medo e da escravidão, em suma, a sociedade das trevas.


É por isso que temos e vamos prevalecer. É por isso que esta vai ser uma luta longa mas ganha. É por isso que não podemos ter medo.
(Foto de Stan Honda - AP)

10 de setembro de 2008

Um Portugal desconhecido


Partam à procura dele, vão ver que vale a pena.

(imagem retirada deste site)

17 de agosto de 2008

Save Miguel

(Imagem retirada de www.eb1-corticadas-lavre.rcts.pt)



Não sei bem de quem partiu a iniciativa, apesar de "suspeitar" da Amorim, mas visitem este interessante site que tem por objectivo salvar a indústria da cortiça e os sobreiros portugueses. Muito dinâmico, apelativo e interactivo e até tem o trailer de um filme com o actor americano Rob Schneider.

Vale a pena visitar!

http://www.savemiguel.com/

14 de agosto de 2008

A crise do mundo ocidental

(Imagem retirada de http://epicurious.blogs.com/photos/uncategorized/2007/11/27/mattklein_odaiba_statue_of_liberty.jpg)



A propósito da crise que supostamente vive a civilização ocidental, aconselho vivamente a leitura de um artigo de opinião de José Pacheco Pereira sobre este tema, que está publicada no blog do historiador (e que foi publicado na coluna semanal do jornal Público), e cujo link deixo em baixo. Façam o "esforço" e vão ver que não se vão arrepender!




O fenómeno Obama



Aposto que já poucos se lembram quando, há cerca de um ano atrás, se começou a falar em Barack Obama, e quase ninguém conseguia dizer o nome, e, aliás, até se falava da semelhança fonética com o nome de Osama Bin Laden. Ora um ano passado o cenário não podia ser mais diferente. Hoje só os distraídos não reconhecem o nome do candidato democrata à presidência da super-potência mundial, e Obama foi carinhosamente acolhido no regaço da imprensa europeia.


Num exercício de simplificação, causado pela paixão fogosa por Obama (e como todas as paixões, pouco racionais), a imprensa europeia passou a tratar o candidato como se uma espécie de mente renascentista se tratasse, como se o Senador do Congresso dos EUA viesse trazer todo um mundo novo à condução da política externa norte-americana, uma espécie de toque de Midas da paz e do progresso sociais e da bem aventurança entre todos os Homens deste planeta.

O clímax desta paixão aconteceu recentemente quando o Senador fez um périplo por algumas capitais europeias. Em Berlim, a imprensa comparou o discurso de Obama com a passagem do Presidente John Kennedy por lá em 1963, quando proferiu o célebre discurso do "ich bin ein Berliner" (eu sou berlinense). Nada mais disparatado, e por várias razões. Primeiro, Obama é um candidato à Presidência dos EUA, depois, de modo algum, se pode comparar a situação de Berlim, e do mundo, com a vivida em 1963. JFK foi a Berlim, porque pouco antes a URSS tinha construído o Muro, separando a parte democrática de Berlim do resto da cidade, em mãos soviéticas. Vivia-se uma confrontação entre a democracia e a liberdade e um sistema autocrático, totalitário e que abolia toda e qualquer liberdade pessoal. Parece-me a mim que comparar uma situação desta gravidade, com uma acção de campanha eleitoral, numa Europa livre, é, no mínimo rídiculo... Até porque, a grande quantidade de pessoas que lá estavam a assistir pareciam estar à espera da actuação de uma estrela de rock.


Nada me move contra ou a favor de Obama ou John McCain. O que eu digo é muito simples: a imprensa, a nossa imprensa e a europeia, não me dá dados suficientes para eu formar a minha própria opinião sobre os candidatos às eleições dos EUA. Não desejo nenhuma análise de ciência política, exijo informação clara e objectiva, sem o olhar enviesado que a imprensa tem dado, pendendo a balança completamente a favor de Obama. Tudo o que Obama faz, diz, ou pensa, parece inquestionável e é-nos servido como se fosse a mensagem de um profeta iluminado. E, para além disto, Obama detém um enorme tempo de antena quando comparado com McCain.

Deixem-se de exercícios simplistas e redutores e de embarcar em quimeras sobre Obama, e apresentem-nos os dados, para que possamos formar um opinião fundamentada. Dentro do possível como é óbvio. Nenhum português em geral quer, como referi em cima, um análise exaustiva sobre os candidatos, apenas informação não tendenciosa. Como exemplo, teria sido interessante algum jornalista ter averiguado sobre aquela multidão que foi ouvir Obama em Berlim. Eram americanos residentes na Alemanha? Eram alemães? Se eram alemães porque estavam lá? Estavam lá de livre iniciativa? Ou foram incentivados de algum modo?


E, agora, e isto já sou eu a opinar, vamos deixar-nos de sonhos e acordar para a realidade! Se Obama for eleito Presidente dos Estados Unidos da América, alguém acha que a política externa americana vai mudar radicalmente? Em relação ao Iraque, por exemplo, Obama vai tirar uma varinha de condão do chapéu e resolver de uma penada o problema iraquiano? Não me parece. Aliás, no geral não vejo que a política externa seja tão má como se quer fazer pensar, mas isso é tema para outro post no futuro. O que eu penso é que, seja quem for o candidato eleito, a política externa americana não vai mudar no conteúdo, talvez na forma. Da mesma maneira que se Kerry tivesse sido eleito em 2004 não teria havido mudanças significativas.

15 de julho de 2008

Batalha de Waterloo












Waterloo, antes de ser canção dos Abba, foi o nome de uma grande Batalha, que teve como cenário esta pequena localidade a 15km de Bruxelas, ou melhor, e para ser rigoroso, a Batalha decorreu a 5km de Waterloo, mas foi assim que ficou imortalizada.

A 18 de Junho de 1815 o Senhor da Europa jogou o tudo ou nada, ali se definiu a consolidação ou o fim do seu domínio europeu. E quis o destino, ou a eficácia militar e superioridade numérica dos Aliados, que Waterloo tivesse um sabor amargo para Napoleão. O exército francês caiu às mãos das tropas Aliadas comandadas pelo Duke de Wellington (em versão nacional Marquês do Douro), o general britânico que tinha a seu cargo forças britânicas, russas, holandesas, portuguesas, entre outras, mas onde britânicos e holandeses formavam uma clara maioria.

Ao fim de 8 horas de hostilidades o império de Napoleão esfumou-se e não haveria de faltar muito para o francês de baixa estatura rumar a caminho de Santa Helena.

No fim, jaziam 9500 homens mortos no campo de batalha, e outros 35000 feridos, sendo que o exército francês começou com 124000 homens e o Aliado com 214000.


Quis o destino que a 18 de Junho de 2008 eu estivesse em Bruxelas! E a 20, dois dias depois, queria eu ir a Waterloo, para conhecer o local e assistir à recriação histórica da Batalha. No entanto, quiseram os transportes públicos da Região da Valónia, os TEC, que eu não fosse! Pois é, não é só em Portugal que se espera 1 hora por um autocarro que nunca apareceu, e que aos sábados só passa de 2 em 2 horas, apesar de ter confirmado o horário no dia anterior, e estar na paragem correcta. Fica para os 200 anos da Batalha...

Mas para quem quiser saber mais sobre a Batalha e sobre Museus, recriações e outras actividades que lá se fazem ao longo do ano aí fica o site (tem versão inglesa):

http://www.waterloo1815.be/

14 de julho de 2008

Informação sobre a União Europeia



Nestes tempos de crise que a Europa vive, crise que parece ser mais da responsabilidade dos políticos nacionais e europeus do que dos cidadãos, acusados de indiferença, há um óptimo site de um Deputado Europeu português, Carlos Coelho, com várias informações sobre temas da actualidade europeia (ver nomeadamente as secções "relatórios" e "textos diversos"), bem como vários links úteis e ainda uns divertidos jogos para testarmos os nossos conhecimentos sobre a União.


7 de junho de 2008

5 de Junho de 1968

(Foto de Leffler, Warren K., retirada de http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Robert_Kennedy_speaking_before_a_crowd,_June_14,_1963.jpg)


"Some men see things as they are and say why.I dream things that never were and say why not?"


Neste dia, há já 40 anos, alguém fez calar um sonhador. Um sonhador com ganas de tornar o sonho realidade. O ignóbil carrasco de Robert Kennedy fez com que a América e o mundo perdessem um político que parecia genuinamente empenhado em mudar o mundo, que parecia estar comprometido com os valores mais nobres da política, que lutava por causas que todos compreendiam e em relação às quais só se podia ter uma atitude: o apoio sem dúvidas ou tibiezas, abraçá-las com toda a sua convicção.


Dias antes desse vil homicídio outro acto igualmente espúrio tinha sido cometido: o assassinato de Martin Luther King. Sem dúvida os sonhadores estavam debaixo de fogo num ano em que não houve só "Maio de 68".


E hoje, o que resta do sonho destes e outros que morreram por aquilo em que acreditavam? No que diz respeito ao terrível problema da discriminação racial nos Estados Unidos creio que nenhuma destas mortes foi em vão. Já não é sequer passível de comparação a situação social que lá se viveu até aos anos 60 com a situação actual. E até na África do Sul se pos fim ao Aparthaeid.

E, finalmente, que melhor prova do que um candidato negro à Presidência dos Estados Unidos neste ano de 2008.



Quanto ao resto da mensagem de Robert Kennedy, acredito que boa parte dela continua actual. No final de contas o objectivo era um: promover a paz e o desenvolvimento no mundo. Dir-se-á que não foi o único a pugnar por isso, no entanto, a forma apaixonada como o fez, a maneira como acreditava, a coragem que demonstrava, a sua capacidade de liderança, a confiança que inspirava, a certeza de que ia conseguir, fez dele um político e uma pessoa difíceis de igualar, daqueles que só aparecem de vez em quando.

Neste tempo de relativismos, da política e dos políticos de plástico, talvez valha a pena reflectir se somos merecedores da herança de Homens como ele e se não deveríamos voltar àqueles valores que fazem da política (ou deveriam fazer) a mais nobre actividade do Homem.


"Few men are willing to brave the disapproval of their fellows, the censure of their colleagues, the wrath of their society. Moral courage is a rarer commodity than bravery in battle or great intelligence. Yet it is the one essential, vital quality for those who seek to change the world which yields most painfully to change. Aristotle tells us "At the Olympic games it is not the finest or the strongest men who are crowned, but those who enter the lists. . .so too in the life of the honorable and the good it is they who act rightly who win the prize." I believe that in this generation those with the courage to enter the conflict will find themselves with companions in every corner of the world."
Robert F. Kennedy - 6 de Junho de 1966 - Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul



27 de maio de 2008

Sydney Pollack

Jean Paul Pelissier/Reuters (fonte: Público on-line)


Um dos grandes realizadores norte-americanos morreu no passado Domingo, dia 25 de Maio, aos 73 anos.

De certeza que quem viu "África Minha" ("Out of Africa") jamais esqueceu.

Uma daquelas notícias que nos apanham desprevenidos... Para saber mais sobre a vida de Pollack deixo um link para o excelente artigo do jornal Público:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330285&idCanal=14

18 de maio de 2008

O disparate

Um disparate e um insulto para Portugal. Assim considero as palavras do Vice-Presidente do Governo Autónomo da Catalunha que acabo de ler na edição on-line do Público, e recolhidas pela Lusa: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329153&idCanal=11

Na tentativa de ganhar aliados para a independência da Catalunha, o dirigente compara o incomparável: a independência da Catalunha com a restauração da independência portuguesa em 1640. Nada de mais absurdo. Um país, como Portugal, que em 800 anos de existência teve um breve período de perda de independência de 60 anos (1580-1640), não se pode dizer que tenha ganho a independência de Espanha, até porque já por cá andavamos em 1143, ou 1170 conforme os gostos, quando Espanha, tal como é hoje não existia. A independência de Portugal é pois inquestionável e histórica e só o desespero de alguém como o independentista catalão para nos arrastar para a sua causa pode levantar esse assunto.

Portugal existe como tal desde o século XII, sempre fomos o mesmo país, com a mesma língua, com o mesmo sentimento e identidade nacional, com as mesmas fronteiras, para virmos permitir um disparate destes. Por isso, espero que nenhum político português receba este senhor ou dê coberto aos seus intentos de nos arrastarem para esta delicada questão interna do estado espanhol.

Mais tarde voltarei a este assunto.

14 de maio de 2008

"Amanhã na Guiné" - Serviço Público


No passado dia 30 de Abril, a RTP emitiu, no espaço "Em Reportagem", uma reportagem verdadeiramente digna do serviço público de televisão. Ao longo de 4o minutos, talvez menos, o jornalista e repórter de imagem da RTP, cujos nomes não retive, mostraram que é possível dar outra imagem de África, que não a dos "coitadinhos", mas mostrando, até de modo mais incisivo e emocionante, as terríveis fragilidades do continente e que se abatem sem dó nem piedade nas pessoas que lá vivem.

"Amanhã na Guiné" aproveitou-se de uma viagem de jipe de um padre do Porto desde Portugal, até à Guiné-Bissau, para narrar o quotidiano de aldeias perdidas da Guiné, e da insalubridade dos bairros de Bissau, onde se acumulam muitas pessoas, e, em ambos os casos, sem qualquer equipamento básico como saneamento, cuidados médicos adequados, ou comida para cada dia. Uma das coisas que mais impressionou foi por um lado, ver a alegria daquelas crianças sentadas no chão de uma sala de aula, sem lápis ou cadernos coloridos, e ao mesmo tempo a força no olhar de um jovem licenciado em Gestão de Bissau, ciente da miséria em que o país vive, sabendo do rumo que o mesmo deveria tomar para acabar com esta espiral de sub-desenvolvimento, mas, ao mesmo tempo, impotente para o fazer, como se estivesse preso numa jaula.

E que dizer de todos os missionários e voluntários, de Portugal, de Itália e da América do Sul que lá apareceram que estão lá de coração aberto, abdicando de tudo, mas convictamente felizes com a sua escolha?

Foi uma lição de vida em breves minutos. Sem sentimentalismos balofos, sem jornalismo espectáculo, sem imagens choque, sem atentar contra a dignidade de ninguém.

Se alguém depois de ter visto essa resportagem não compreendeu e não se sensibilizou verdadeiramente com o drama de África, então dificilmente algum dia o compreenderá.

Parabéns ao jornalista e reportagem de imagem da RTP por este trabalho exemplar.
A reportagem pode ser acedida através desta página da RTP:

5 de maio de 2008

A incrível história de James Woodard

James Woodard é um americano que passou os últimos 27 anos da sua vida na prisão acusado de ter morto e violado a sua namorada. Sempre disse que era inocente, mas só agora, com a ajuda do DNA foi possível ilibá-lo.
27 anos de uma vida numa prisão sabendo-se inocente... Pouco poderá ser pior que isto na vida de um Homem.
Por isso é que o fim último do Direito, tal como nós o vemos (ainda vemos?)em Portugal (e nos países de tradição romana), é a eminente dignidade da pessoa humana.

Questionado pelo jornalista do excelente programa da CBS, 60 Minutos, (que em Portugal pode ser visto na SIC Notícias), sobre porque é que nunca disse que era culpado ao comité de atribuição da liberdade condicional, para assim poder usufruir da mesma, James Woodard disse apenas que um homem tem de ter os seus princípios.

I rest my case.


Ligação ao programa 60 Minutos da CBS:

http://www.cbsnews.com/stories/2008/05/02/60minutes/main4065454.shtml


Ligação à reportagem doo Telejornal da RTP de 5 de Maio:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=343952&tema=31

Todos somos poucos...

... para salvar a Língua Portuguesa tal como a conhecemos em Portugal. Assinem a petição em:

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/

Os seus promotores incluem nomes como:
António Emiliano
Eduardo Lourenço
José Pacheco Pereira
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva

1 de maio de 2008

"Acto" ou "Ato" - II


No debate do "Prós e Contras" que referi no post anterior, Carlos Reis, Reitor da Universidade Aberta, e defensor acérrimo do Acordo Ortográfico (Acordo), virou-se para Vasco Graça Moura e a professora universitária que partilhava a mesa com o poeta e tradutor, cujo nome não me lembro, mas com uma vivacidade marcante, e disse-lhes que os dois eram contra o Acordo por razões de nacionalismo serôdio. Ora eu acho que o Prof. Carlos Reis sofre exactamente do contrário, que é um certo complexo de inferioridade português, e que para ultrapassá-lo é preciso ir com outros "a jogo".

Com este Acordo, quanto a mim, que não sou especialista, mas apenas um utilizador da língua(sempre tentando tratá-la bem), o que vai acontecer internacionalmente é que o Português vai deixar de ter duas normas reconhecidas internacionalmente, a portuguesa e a brasileira, para passar a ter apenas uma, que acabará por ser a brasileira.

Bem sei que o objectivo declarado do Acordo não é unificar as duas normas, mas reduzir as diferenças na grafia. Mas aquilo que ouço dos defensores do Acordo é que com ele se vai facilitar a publicação de livros nos dois países sem necessidade de revisão, e se vai também facilitar as questões de tradução em organismos internacionais como a ONU.

Ora, parece-me que daqui resulta claro que vai ser assumido internacionalmente que o Português padrão terá uma norma apenas, e que essa norma será a brasileira. Aqui os muitos mais milhões de brasileiros farão toda a diferença em relação aos poucos 15 milhões de portugueses (já contando com emigrantes).

Veja-se um exemplo muito simples. Um tradutor brasileiro é admitido na ONU, ou mesmo no Parlamento Europeu, na Comissão Europeia, na NATO, no Conselho da Europa, ou na OCDE, por exemplo. É-lhe perguntado se ele vai traduzir o Português para a norma brasileira ou norma portuguesa, ele vai simplesmente dizer que vai traduzir para o Português padrão já que com o acordo, pelo menos na perspectiva dos brasileiros, deixam de haver normas diferentes porque as palavras que nós escrevíamos de modo diferente da dos brasileiros, passamos a escrevê-las do mesmo modo. É isto que qualquer brasileiro vai assumir, que deixou de haver uma norma brasileira e outra portuguesa, ainda que esse não seja o objectivo do Acordo. E o mesmo se vai passar com um estrangeiro que vá aprender Português no seu país com um professor brasileiro.

Bem sabemos que na norma do Português brasileiro, as diferenças gramaticais e semânticas são muito grandes em relação à norma do Português de Portugal, muito maiores que quaisquer diferenças gráficas.

O que irá acontecer quanto a mim, é que este Acordo irá abrir as portas de modo inexorável, ao definhamento e morte do Português que nós falamos, e acho que defender o modo como nós escrevemos e falamos Português não é ter um nacionalismo serôdio, até porque, e digo-o sem qualquer problema e sem qualquer pretensão hegemónica, foi aqui, no nosso pequeno "rectângulo" que nasceu a Língua Portuguesa. Por isso, como aludia Vasco Graça Moura, não me vou conformar com a lei do mais forte. Só porque o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e é uma das potências emergentes a nível mundial isso não significa que tenhamos que nos render e passar todos a falar como se fala no Brasil. Dizer o contrário, dizer que a defesa pela preservação da língua tal como nós a falamos é nacionalismo serôdio é precisamente sofrer daquele complexo de inferioridade que referi em cima. Temos todos os pergaminhos e mais alguns, não para impor aos outros países a nossa maneira de falar Português, mas para defender e estimular a nossa maneira de falar Português.

E ao defender convictamente o nosso modo de falar Português, não estou a defender que nos isolemos, que deixemos de interagir com os outros Países de Língua Oficial Portuguesa, agora não aceito que outro país, na prossecução dos seus legítimos interesses político-económicos na cena mundial, venha impor a dele, e que nós aceitemos só por sermos um pequeno país na cauda da Europa de tudo quanto é indicador. Se os nossos antepassados dos últimos 800 anos pensassem assim, não estaríamos aqui hoje a falar de um país com 800 anos de História e que contribuiu para mudar o mundo.


Voltando ao Acordo. Não vejo também, porque será assim tão necessário adaptar o modo de escrever ao modo de falar. Haverá alguma dificuldade em se aprender a escrever "baptismo", "excepção", "acto", "peremptório", etc, etc? Não me parece. Parece-me isso sim, que será mais um empobrecimento da língua, e que constituirá uma dificuldade acrescida para se aprenderem línguas estrangeiras, já que ao escrevermos como falamos, vamos-nos cada vez mais afastando da etimologia da palavra, e assim, de outras palavras com a mesma origem etimológica noutras línguas. Como por exemplo com a palavra "baptism" em inglês, e muitas outras.

Outra razão importante ainda, e pegando de novo no ponto de que com este Acordo estamos a caminhar para a supremacia da norma brasileira do Português, o Português falado no Brasil, é demasiado poroso em relação a outras línguas, especialmente o inglês que se fala nos E.U.A.. Os brasileiros adaptam directamente uma miríade de palavras com uma facilidade impressionante, como se pode comprovar facilmente através das telenovelas ou dos programas informáticos traduzidos para Português do Brasil, contribuindo assim para uma grande descaracterização e perda de originalidade da Língua Portuguesa.


Em suma, não vejo qualquer razão para Portugal defender e perseguir este Acordo. Não vejo qualquer boa razão a nível económico para ele no que diz respeito à nossa presença no mundo, para o Brasil sim, para nós não. E o mesmo em termos culturais.

É um mau acordo e espero que os portugueses não embarquem em modas e falsos modernismos, e façam desta nova aparição do Acordo aquilo que fizeram com a primeira: ignorá-lo com a prática da vida diária.

26 de abril de 2008

" Acto" ou "Ato" - I


Ultimamente têm vindo a lume algumas posições sobre um Acordo Ortográfico que a sociedade portuguesa tinha atirado para o esquecimento e que datava de 1991. Não se sabe se a CPLP terá coisas mais úteis para fazer do que ir buscar ao baú este Acordo, nem se sabe também por que razão o Governo Português foi pelo mesmo caminho, nem tão pouco por que é que a imprensa o dá como um facto consumado.

Creio que este Acordo é importante de mais para passar sem uma alargada discussão nacional e que tente envolver ao máximo os, muitas vezes apáticos, nossos concidadãos e técnicos reputados e credíveis, bem como cultores da língua portuguesa dignos desse nome.

Preocupa-me bastante não ouvir quase nada dos professores portugueses ou ouvir coisas inquietantes, como quando li no JN que muitos professores do primeiro ciclo já estavam era preocupados em assimilar as alterações, em vez de as submeter a um exame crítico.

Ora, e não parece que vá haver discussão alguma. Com excepção de alguma comunicação social, e quanto a mim, com relevo para o debate organizado pela RTP no programa "Prós e Contras", parece que se vai tentar ir dando o Acordo como facto consumado para quando alguém acordar já ser tarde de mais.

Os partidos polítcos têm aqui importantes responsabilidades, mas nada têm feito para o debate, com a honrosa excepção, do Deputado Europeu, eleito pelo PSD, Vasco Graça Moura que tem combatido como um felino contra este Acordo.

Julgo que este é um tema de importância crucial para Portugal e como tal deveria ter lugar central na discussão pública nacional ao contrário de tantos temas prolixos que se discutem todos os dias ad nauseum.

Quanto a mim, sou completamente contra a entrada em vigor deste Acordo, pelas razões que explicarei no próximo post.

20 de abril de 2008

Áustria puxa por Portugal

Por ocasião da realização do Campeonato Europeu de Futebol, a Áustria teve a boa ideia de pintar uma série de locomotivas com as cores nacionais dos países qualificados para o Euro 2008. Aqui está a nossa!

Podem ver mais fotos em: http://www.oebb.at/euro2008/en/Photo_Gallery/index.jsp

E podem saber sempre onde ela se encontra, aqui: http://www.oebb.at/euro2008/en/Loks/index.jsp