25 de setembro de 2008

"Nos países nórdicos é que é"


Confesso que sempre que ouço alguém a dizer isto, fico logo à espera do resto. E o resto é que nos países nórdicos tudo é perfeito, tudo é organizado de maneira impecável, tudo é exemplar, em suma, uma sociedade modelo. Eu confesso que me repugna essa ideia da perfeição absoluta, não que não procure o perfeccionismo naquilo que faço, mas uma coisa é tentar ser sempre melhor, outra bem diferente é criar um ambiente artificial, onde se faz de conta que os problemas não existem, que tudo corre como no paraíso celestial. Ora, eu penso isso dos países nórdicos. Creio que são sociedades muito artificiais, onde o inconformismo humano foi domado, está mantido numa cerca, onde não há creatividade e a vida é acromática. Não que tenha dúvidas que haja muitas coisas que lá funcionam bem e que cá funcionam mal, não que duvide que podemos aprender coisas com eles. Agora, sou contra a ideia de decalcar soluções de lá para cá, e acima de tudo, sou contra uma sociedade dita perfeita, onde o espírito humano acaba por estar agrilhoado, apesar de parecer que não, e onde, de repente, há uma explosão na cerca, porque a contenção estava no limite, e um miúdo, com licença de uso e porte de arma, faz um vídeo exibicionista no You Tube, no dia seguinte mata dez colegas e a seguir mata-se a si próprio. Nos países nórdicos é que é...

E é também a Finlândia, de acordo com o jornal Público, que está no terceiro lugar do pódio do número de armas a nível mundial (andarão todos na caça grossa?), e é nos países nórdicos que se registam as mais altas taxas de suicídio da Europa. Nos países nórdicos é que é.

22 de setembro de 2008

"Sebastião come tudo, tudo, tudo" - I








A União Europeia criou, para a auxiliar em diversas tarefas, uma série de agências nos mais variados domínios. Apesar dessas agências não serem instituições da UE, não obstante terem sido criadas pela mesma, é óbvia a sua importância para a União e aquilo que representa, para qualquer Estado-Membro, ter a sede de uma delas no seu território.

Ora Portugal tem 2 agências sedeadas no seu território: a Agência Europeia para a Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (apesar de não ter o nome "agência" na essência é a mesma coisa), as duas com sede em Lisboa.

Agora veja-se um exemplo. A Grécia é sede de 3 agências: Agência Europeia da Reconstrução, Agência Europeia para a Segurança das Redes e Informação, e do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional.
Essas agências têm (ou irão ter) as suas sedes em Salónica (a primeira e a última) e Heráclion.

Veja-se outro exemplo ainda. A Espanha alberga 2 agências: Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho e o Centro de Satélites da União Europeia.
As suas sedes são, respectivamente, em Bilbau e Torrejón de Ardoz (arredores de Madrid).

Podia continuar a dar muitos outros exemplos, de países como a Alemanha, com uma agência em Colónia, ou a França, com outra em Lille, ou a Itália, com uma em Parma.
Não sei se já repararam, mas o "Sebastião" português colocou as duas agências em Lisboa. Nem aí foi capaz de dar uma oportunidade ao resto do território. Duvido que para Bruxelas faça alguma diferença que a sede de uma agência fique em Lisboa ou em Viana do Castelo (a marítima, por exemplo). A localização das sedes em Lisboa traz ganhos que a capital do nosso país já não precisa, e que podia bem partilhar com outras zonas do país, outras cidades mais pequenas. Nesses locais sim, poderiam representar um grande ganho. O interesse nacional já estava assegurado, as agências vieram para Portugal. Depois, porque é que não se fez como na Grécia, como na Espanha ou como na Alemanha? Porquê tudo para Lisboa? Porquê?
Na verdade, para os políticos estabelecidos em Lisboa, o resto do país é mesmo paisagem... Pena é que muitos se esqueçam depressa de onde vieram.

18 de setembro de 2008

Polémico

(www.uc.pt)


Eu concordo! Mas acho que vai levantar alguma polémica. Um investigador da Universidade de Coimbra, Carlos Barros Gonçalves, defendeu recentemente, na sua tese de doutoramento, que a tão propalada capacidade ética desportiva de forjar o carácter não passa de um mito. O investigador defende que para quem pratica desporto, o que interessa é mesmo a competição e os resultados, e que os treinadores não têm, em geral, qualquer preocupação formativa da dimensão humana dos atletas. Diz ainda o investigador da UC que os próprios pais podem desincentivar esta componente ética ao exigirem resultados aos filhos, para que sejam os melhores, já que as actividades desportivas são hoje a principal fatia das actividades extra-escola.


Quem quiser ler o artigo de Carlos Barros Gonçalves, publicado na Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, em que este resume o seu estudo, pode fazê-lo aqui:

Para quem preferir um resumo muito claro, e em termos leigos, das conclusões do estudo pode ler este documento publicado pela UC:

Ultraje

Nos dias que correm, podemos esperar tudo da comunicação social, mas mesmo tudo, no entanto, não perdem a capacidade de conseguir descer ainda mais baixo. Esta noite, no Telejornal da RTP1, e com grande probabilidade em todos os canais, foi mostrado um vídeo do malogrado vôo da Spanair do passado mês de Agosto. Parece que o dito vídeo foi parar às mãos do jornal El País e daí seguiu mundo.
Qual é o interesse jornalístico para as pessoas em geral a visualização deste vídeo? Nenhum. Rigorosamente nenhum. Isto serve uma vez mais a filosofia de sangue e circo com que os mass media nos querem habituar e em doses cada vez mais elevadas. O problema é que as pessoas já nem reagem, consideram normal que imagens deste tipo (poderiam ser de uma outra qualquer tragédia) nos entram casa adentro à hora do jantar. Temos de reagir, não podemos ficar de braços cruzados, quando a qualidade da informação chega a um patamar tal que tudo vale e a dignidade das pessoas é o que menos importa. Deixo-vos no fim deste post o link de onde podem mandar uma mensagem ao Provedor da RTP. Escrevam nem que seja duas linhas. Se ficarmos de braços cruzados os nossos filhos vão continuar a crescer com uma imprensa não formativa e informativa, mas sensacionalista, selvagem e que convida à estupidez mental.

Termino, explicitando o título deste post. A divulgação deste vídeo é um ultraje à memória dos que morreram, aos seus familiares mas também a nós. E a televisão pública deveria ser a primeira a ter um cuidado especial nestas matérias e a nem mostrar o vídeo. Quanto a mim, mudei de canal logo após o apresentador ter anunciado o que aí vinha.

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_telespectador/contactos.php

15 de setembro de 2008

"Acto" ou "Ato" - III




Recentemente li um livro que reunia as crónicas de Vasco Graça Moura sobre o famigerado acordo ortográfico, e fiquei ainda com mais certezas sobre este erro clamoroso que estamos a cometer.

Chamo a atenção para três pontos:

1. a questão das facultatividades;

2. as graves consequências para as editoras portuguesas;

3. só o Brasil ganha com este acordo.


1. Facultatividades


As facultatividades são um expediente previsto pelo acordo para casos de dúvida na escrita das palavras. O problema é que não há qualquer critério para decidir, cada um decide como entende! Está bom de ver a enorme confusão que isto vai trazer para a escrita da língua, mesmo dentro de uma mesma comunidade linguística/país. Como exemplo do ridículo transcrevo um excerto do acordo, para verem no que é que isto vai dar: "Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas "e" ou "o" estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais "m" ou "n" , conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo, Amazónia/Amazônia, António/Antônio,(...)".

Depois há o aspecto da abolição "c" e "p" mudos, mas que, de acordo com vários linguistas, têm uma importante função de revelar ao falante da língua como se pronúncia a palavra, e são testemunho da etimologia da mesma. Este último aspecto não é importante só por uma questão histórica mas por nos aproximar das outras línguas românicas e do inglês, pois muitas das suas palvras derivam do latim ou línguas românicas, o que torna a sua aprendizagem mais fácil.


2. Editoras portuguesas


Os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), seguem a norma portuguesa da língua, e a edição portuguesa tem aqui um importante mercado, onde já se encontra fortemente implantada. Ora como a maioria das mudanças, se o acordo for avante, se vai fazer no sentido de beneficiar a grafia brasileira da língua, as editoras deste país terão caminho aberto para entrar em África pois não precisam de efectuar nenhuma mudança nos seus manuais de ensino ou livros, ao contrário das nossas editoras, que poderão perder o mercado e gastar enormes quantias para actualização dos catálogos.


3. Brasil


O acordo foi lançado em 1986 pelo então Presidente Sarney do Brasil, e visava, como ainda visa hoje, fins económicos claros, como ficou visto acima. Não há mal nenhum que o Brasil olhe pela sua vida, o mal está em não sabermos olhar pela nossa, e adoptarmos uma postura marcada por um complexo de inferioridade ou pós-colonial. De resto como se pode assegurar a unidade da língua, como defendem os apoiantes do acordo, com casos como o que relatei no ponto 1?

Depois, dizem ainda os defensores do acordo, que se não cumprirmos este acordo, a norma portuguesa da língua está condenada, mas, e como muito bem diz Vasco Graça Moura, o acordo existe desde 1991 e ninguém em Portugal e em África o cumpriu, está a nossa maneira de falar e escrever moribunda por isso? Obviamente que não!


Todos estes pontos foram abordados de uma forma muito genérica (e pouco científica pois estou longe de ser linguista,) por isso se quiserem mais informação deixo-vos os dados do livro: "Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre" de Vasco Graça Moura, Alêtheia Editores

14 de setembro de 2008

Chavez



A América Latina parece estar a produzir uma nova "fornada" de ditadores. Chavez será a estrela mais brilhante desse mísero firmamento. O homem da camisa vermelha, que tomou o poder na Venezuela sem ninguém se importar muito, já demonstrou o seu populismo, demagogia, e espírito anti-democrático, no entanto, talvez por ser de esquerda, tem encontrado contemporização de vários líderes internacionais, especialmente aqui no Velho Continente. Ontem proferiu um discurso execrável para um chefe de Estado (na verdade não o é) em relação aos EUA, e expulsou o embaixador norte-americano no país. Aos poucos talvez vá mostrando aos mais cépticos que não é só folclore. Como se o plesbicito que organizou há cerca de um ano não tivesse ainda sido prova suficiente que isto é mesmo a sério...

A minha preocupação, para além da vida difícil que está a causar aos esforçados e trabalhadores emigrantes portugueses, é a de que dê origem, como parece que está a acontecer, a uma série de novos "caudillos" Sul Americanos, que como nos anos 80, tragam desestabilização aquela zona do globo e que em nada vão contribuir para o progresso dos seus cidadãos, mas antes para a delapidação dos seus recursos naturais, para não falar nos retrocessos em termos de cidadania e liberdades políticas.

E se a Europa continua a assobiar para o lado, ao mesmo tempo que não coopera com os EUA, pode ser que o Brasil, já com uma democracia estabilizada, tenha aqui um papel importante, defendendo a democracia, e pondo um travão nestes oportunistas, assim o queira.

12 de setembro de 2008

11 de Setembro de 2001


Foi há 7 anos atrás que assisti com incredulidade ao maior ataque terrorista de todos os tempos.

Alguns loucos (bastará este adjectivo?) pegaram em aviões comerciais e fizeram deles armas de extermínio, cometeram actos que julgo dificeís de catalogar, que nem a imaginação mais doentia conseguiria gizar... Caem dois arranha-céus, milhares de pessoas morrem, o mundo fica em estado de choque, e parece que se iniciou uma nova era nas relações internacionais.

Não mais viajamos de avião com líquidos trazidos de casa, em alguns aeroportos temos de tirar os sapatos, em algumas cidades a psicose securitária parece regra, tivemos Madrid 11/03 e Londres 7/05 e esperamos, com receio, qual será a próxima cidade a ser violada, houve a deposição dos talibãs, de Saddam e o crescendo de tensão com o Irão, e há neste momento, milhões de bandeiras dos Estados Unidos da América penduradas em postes, janelas, carros ou casas.

Não tenhamos dúvidas, não sejamos ingénuos, não caiamos em demagogias. Este terrorismo tem apenas um objectivo: acabar com o mundo livre. Querem acabar com as democracias e sociedades plurais, tolerantes, onde há respeito pelo outro, onde ninguém se eterniza no poder, onde podemos dizer o que pensámos e pensarmos o que quisermos, onde as mulheres não são inferiores aos homens, onde o Estado é o Estado e a Igreja é a Igreja, onde podemos sonhar e concretizar os nossos sonhos, onde podemos criar livremente, onde a justiça está nos tribunais, onde lá fundo do horizonte está sempre a dignidade da pessoa humana. É por isso que temos fome de civilização e progresso, para conseguirmos preservar a dignidade da pessoa humana.


Ao contrário, os loucos que perpretaram e executaram o 11 de Setembro, e outros ataques, querem que se instaure a sociedade do medo e da escravidão, em suma, a sociedade das trevas.


É por isso que temos e vamos prevalecer. É por isso que esta vai ser uma luta longa mas ganha. É por isso que não podemos ter medo.
(Foto de Stan Honda - AP)

10 de setembro de 2008

Um Portugal desconhecido


Partam à procura dele, vão ver que vale a pena.

(imagem retirada deste site)