27 de maio de 2008

Sydney Pollack

Jean Paul Pelissier/Reuters (fonte: Público on-line)


Um dos grandes realizadores norte-americanos morreu no passado Domingo, dia 25 de Maio, aos 73 anos.

De certeza que quem viu "África Minha" ("Out of Africa") jamais esqueceu.

Uma daquelas notícias que nos apanham desprevenidos... Para saber mais sobre a vida de Pollack deixo um link para o excelente artigo do jornal Público:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330285&idCanal=14

18 de maio de 2008

O disparate

Um disparate e um insulto para Portugal. Assim considero as palavras do Vice-Presidente do Governo Autónomo da Catalunha que acabo de ler na edição on-line do Público, e recolhidas pela Lusa: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329153&idCanal=11

Na tentativa de ganhar aliados para a independência da Catalunha, o dirigente compara o incomparável: a independência da Catalunha com a restauração da independência portuguesa em 1640. Nada de mais absurdo. Um país, como Portugal, que em 800 anos de existência teve um breve período de perda de independência de 60 anos (1580-1640), não se pode dizer que tenha ganho a independência de Espanha, até porque já por cá andavamos em 1143, ou 1170 conforme os gostos, quando Espanha, tal como é hoje não existia. A independência de Portugal é pois inquestionável e histórica e só o desespero de alguém como o independentista catalão para nos arrastar para a sua causa pode levantar esse assunto.

Portugal existe como tal desde o século XII, sempre fomos o mesmo país, com a mesma língua, com o mesmo sentimento e identidade nacional, com as mesmas fronteiras, para virmos permitir um disparate destes. Por isso, espero que nenhum político português receba este senhor ou dê coberto aos seus intentos de nos arrastarem para esta delicada questão interna do estado espanhol.

Mais tarde voltarei a este assunto.

14 de maio de 2008

"Amanhã na Guiné" - Serviço Público


No passado dia 30 de Abril, a RTP emitiu, no espaço "Em Reportagem", uma reportagem verdadeiramente digna do serviço público de televisão. Ao longo de 4o minutos, talvez menos, o jornalista e repórter de imagem da RTP, cujos nomes não retive, mostraram que é possível dar outra imagem de África, que não a dos "coitadinhos", mas mostrando, até de modo mais incisivo e emocionante, as terríveis fragilidades do continente e que se abatem sem dó nem piedade nas pessoas que lá vivem.

"Amanhã na Guiné" aproveitou-se de uma viagem de jipe de um padre do Porto desde Portugal, até à Guiné-Bissau, para narrar o quotidiano de aldeias perdidas da Guiné, e da insalubridade dos bairros de Bissau, onde se acumulam muitas pessoas, e, em ambos os casos, sem qualquer equipamento básico como saneamento, cuidados médicos adequados, ou comida para cada dia. Uma das coisas que mais impressionou foi por um lado, ver a alegria daquelas crianças sentadas no chão de uma sala de aula, sem lápis ou cadernos coloridos, e ao mesmo tempo a força no olhar de um jovem licenciado em Gestão de Bissau, ciente da miséria em que o país vive, sabendo do rumo que o mesmo deveria tomar para acabar com esta espiral de sub-desenvolvimento, mas, ao mesmo tempo, impotente para o fazer, como se estivesse preso numa jaula.

E que dizer de todos os missionários e voluntários, de Portugal, de Itália e da América do Sul que lá apareceram que estão lá de coração aberto, abdicando de tudo, mas convictamente felizes com a sua escolha?

Foi uma lição de vida em breves minutos. Sem sentimentalismos balofos, sem jornalismo espectáculo, sem imagens choque, sem atentar contra a dignidade de ninguém.

Se alguém depois de ter visto essa resportagem não compreendeu e não se sensibilizou verdadeiramente com o drama de África, então dificilmente algum dia o compreenderá.

Parabéns ao jornalista e reportagem de imagem da RTP por este trabalho exemplar.
A reportagem pode ser acedida através desta página da RTP:

5 de maio de 2008

A incrível história de James Woodard

James Woodard é um americano que passou os últimos 27 anos da sua vida na prisão acusado de ter morto e violado a sua namorada. Sempre disse que era inocente, mas só agora, com a ajuda do DNA foi possível ilibá-lo.
27 anos de uma vida numa prisão sabendo-se inocente... Pouco poderá ser pior que isto na vida de um Homem.
Por isso é que o fim último do Direito, tal como nós o vemos (ainda vemos?)em Portugal (e nos países de tradição romana), é a eminente dignidade da pessoa humana.

Questionado pelo jornalista do excelente programa da CBS, 60 Minutos, (que em Portugal pode ser visto na SIC Notícias), sobre porque é que nunca disse que era culpado ao comité de atribuição da liberdade condicional, para assim poder usufruir da mesma, James Woodard disse apenas que um homem tem de ter os seus princípios.

I rest my case.


Ligação ao programa 60 Minutos da CBS:

http://www.cbsnews.com/stories/2008/05/02/60minutes/main4065454.shtml


Ligação à reportagem doo Telejornal da RTP de 5 de Maio:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=343952&tema=31

Todos somos poucos...

... para salvar a Língua Portuguesa tal como a conhecemos em Portugal. Assinem a petição em:

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/

Os seus promotores incluem nomes como:
António Emiliano
Eduardo Lourenço
José Pacheco Pereira
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva

1 de maio de 2008

"Acto" ou "Ato" - II


No debate do "Prós e Contras" que referi no post anterior, Carlos Reis, Reitor da Universidade Aberta, e defensor acérrimo do Acordo Ortográfico (Acordo), virou-se para Vasco Graça Moura e a professora universitária que partilhava a mesa com o poeta e tradutor, cujo nome não me lembro, mas com uma vivacidade marcante, e disse-lhes que os dois eram contra o Acordo por razões de nacionalismo serôdio. Ora eu acho que o Prof. Carlos Reis sofre exactamente do contrário, que é um certo complexo de inferioridade português, e que para ultrapassá-lo é preciso ir com outros "a jogo".

Com este Acordo, quanto a mim, que não sou especialista, mas apenas um utilizador da língua(sempre tentando tratá-la bem), o que vai acontecer internacionalmente é que o Português vai deixar de ter duas normas reconhecidas internacionalmente, a portuguesa e a brasileira, para passar a ter apenas uma, que acabará por ser a brasileira.

Bem sei que o objectivo declarado do Acordo não é unificar as duas normas, mas reduzir as diferenças na grafia. Mas aquilo que ouço dos defensores do Acordo é que com ele se vai facilitar a publicação de livros nos dois países sem necessidade de revisão, e se vai também facilitar as questões de tradução em organismos internacionais como a ONU.

Ora, parece-me que daqui resulta claro que vai ser assumido internacionalmente que o Português padrão terá uma norma apenas, e que essa norma será a brasileira. Aqui os muitos mais milhões de brasileiros farão toda a diferença em relação aos poucos 15 milhões de portugueses (já contando com emigrantes).

Veja-se um exemplo muito simples. Um tradutor brasileiro é admitido na ONU, ou mesmo no Parlamento Europeu, na Comissão Europeia, na NATO, no Conselho da Europa, ou na OCDE, por exemplo. É-lhe perguntado se ele vai traduzir o Português para a norma brasileira ou norma portuguesa, ele vai simplesmente dizer que vai traduzir para o Português padrão já que com o acordo, pelo menos na perspectiva dos brasileiros, deixam de haver normas diferentes porque as palavras que nós escrevíamos de modo diferente da dos brasileiros, passamos a escrevê-las do mesmo modo. É isto que qualquer brasileiro vai assumir, que deixou de haver uma norma brasileira e outra portuguesa, ainda que esse não seja o objectivo do Acordo. E o mesmo se vai passar com um estrangeiro que vá aprender Português no seu país com um professor brasileiro.

Bem sabemos que na norma do Português brasileiro, as diferenças gramaticais e semânticas são muito grandes em relação à norma do Português de Portugal, muito maiores que quaisquer diferenças gráficas.

O que irá acontecer quanto a mim, é que este Acordo irá abrir as portas de modo inexorável, ao definhamento e morte do Português que nós falamos, e acho que defender o modo como nós escrevemos e falamos Português não é ter um nacionalismo serôdio, até porque, e digo-o sem qualquer problema e sem qualquer pretensão hegemónica, foi aqui, no nosso pequeno "rectângulo" que nasceu a Língua Portuguesa. Por isso, como aludia Vasco Graça Moura, não me vou conformar com a lei do mais forte. Só porque o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e é uma das potências emergentes a nível mundial isso não significa que tenhamos que nos render e passar todos a falar como se fala no Brasil. Dizer o contrário, dizer que a defesa pela preservação da língua tal como nós a falamos é nacionalismo serôdio é precisamente sofrer daquele complexo de inferioridade que referi em cima. Temos todos os pergaminhos e mais alguns, não para impor aos outros países a nossa maneira de falar Português, mas para defender e estimular a nossa maneira de falar Português.

E ao defender convictamente o nosso modo de falar Português, não estou a defender que nos isolemos, que deixemos de interagir com os outros Países de Língua Oficial Portuguesa, agora não aceito que outro país, na prossecução dos seus legítimos interesses político-económicos na cena mundial, venha impor a dele, e que nós aceitemos só por sermos um pequeno país na cauda da Europa de tudo quanto é indicador. Se os nossos antepassados dos últimos 800 anos pensassem assim, não estaríamos aqui hoje a falar de um país com 800 anos de História e que contribuiu para mudar o mundo.


Voltando ao Acordo. Não vejo também, porque será assim tão necessário adaptar o modo de escrever ao modo de falar. Haverá alguma dificuldade em se aprender a escrever "baptismo", "excepção", "acto", "peremptório", etc, etc? Não me parece. Parece-me isso sim, que será mais um empobrecimento da língua, e que constituirá uma dificuldade acrescida para se aprenderem línguas estrangeiras, já que ao escrevermos como falamos, vamos-nos cada vez mais afastando da etimologia da palavra, e assim, de outras palavras com a mesma origem etimológica noutras línguas. Como por exemplo com a palavra "baptism" em inglês, e muitas outras.

Outra razão importante ainda, e pegando de novo no ponto de que com este Acordo estamos a caminhar para a supremacia da norma brasileira do Português, o Português falado no Brasil, é demasiado poroso em relação a outras línguas, especialmente o inglês que se fala nos E.U.A.. Os brasileiros adaptam directamente uma miríade de palavras com uma facilidade impressionante, como se pode comprovar facilmente através das telenovelas ou dos programas informáticos traduzidos para Português do Brasil, contribuindo assim para uma grande descaracterização e perda de originalidade da Língua Portuguesa.


Em suma, não vejo qualquer razão para Portugal defender e perseguir este Acordo. Não vejo qualquer boa razão a nível económico para ele no que diz respeito à nossa presença no mundo, para o Brasil sim, para nós não. E o mesmo em termos culturais.

É um mau acordo e espero que os portugueses não embarquem em modas e falsos modernismos, e façam desta nova aparição do Acordo aquilo que fizeram com a primeira: ignorá-lo com a prática da vida diária.