14 de maio de 2008

"Amanhã na Guiné" - Serviço Público


No passado dia 30 de Abril, a RTP emitiu, no espaço "Em Reportagem", uma reportagem verdadeiramente digna do serviço público de televisão. Ao longo de 4o minutos, talvez menos, o jornalista e repórter de imagem da RTP, cujos nomes não retive, mostraram que é possível dar outra imagem de África, que não a dos "coitadinhos", mas mostrando, até de modo mais incisivo e emocionante, as terríveis fragilidades do continente e que se abatem sem dó nem piedade nas pessoas que lá vivem.

"Amanhã na Guiné" aproveitou-se de uma viagem de jipe de um padre do Porto desde Portugal, até à Guiné-Bissau, para narrar o quotidiano de aldeias perdidas da Guiné, e da insalubridade dos bairros de Bissau, onde se acumulam muitas pessoas, e, em ambos os casos, sem qualquer equipamento básico como saneamento, cuidados médicos adequados, ou comida para cada dia. Uma das coisas que mais impressionou foi por um lado, ver a alegria daquelas crianças sentadas no chão de uma sala de aula, sem lápis ou cadernos coloridos, e ao mesmo tempo a força no olhar de um jovem licenciado em Gestão de Bissau, ciente da miséria em que o país vive, sabendo do rumo que o mesmo deveria tomar para acabar com esta espiral de sub-desenvolvimento, mas, ao mesmo tempo, impotente para o fazer, como se estivesse preso numa jaula.

E que dizer de todos os missionários e voluntários, de Portugal, de Itália e da América do Sul que lá apareceram que estão lá de coração aberto, abdicando de tudo, mas convictamente felizes com a sua escolha?

Foi uma lição de vida em breves minutos. Sem sentimentalismos balofos, sem jornalismo espectáculo, sem imagens choque, sem atentar contra a dignidade de ninguém.

Se alguém depois de ter visto essa resportagem não compreendeu e não se sensibilizou verdadeiramente com o drama de África, então dificilmente algum dia o compreenderá.

Parabéns ao jornalista e reportagem de imagem da RTP por este trabalho exemplar.
A reportagem pode ser acedida através desta página da RTP:

1 comentário:

Filipe Pinto disse...

Olá Alberto,
Chamo-me Filipe Pinto e sou o jornalista desta reportagem... só hoje, mais de um ano depois, tive a agradável surpresa de ler as suas palavras. Fico muito feliz que tenha gostado do trabalho, vendo que percebeu em absoluto o intuito e objectivo da reportagem. Em breve vou concorrer com ela a um Prémio de Jornalismo, a ver o que a sorte pode ditar. Muito obrigado pelos elogios. fico muito lisonjeado e grato por saber que a reportagem tocou o coração de alguém.
Bem haja.