Já aqui uma vez fiz referência a um texto de José Pacheco Pereira publicado na Revista Sábado e no seu blog, o Abrupto. Hoje volto a fazê-lo, e coloco o link em baixo, porque me parece mais um daqueles alertas que julgo impossível deixar passar, e sobre o qual todos devemos reflectir.Pacheco Pereira com a argúcia de pensamento, e solidez de conhecimentos, que lhe são conhecidas vem chamar a atenção para os deslumbrados da tecnologia, como o nosso Primeiro-Ministro, e muitos outros que aderiram à moda sem pensarem um pouco. Veja-se o caso do Magalhães. Crianças da escola primária, ou 1.º ciclo, terão direito a um pequeno computador portátil. Não será um por sala, será um para todas as crianças. Ora, e pergunto-me, mas então uma criança que aos 6 anos de idade vai para a 1.ª classe para aprender a ler e a escrever precisa de um computador portátil para quê? E mesmo as outras que frequentam a 2.ª ou 4.ª classe terão uma enorme necessidade de um computador portátil? Eu creio que claramente se está a pôr "o carro à frente dos bois", que tudo isto não passa de uma manobra propagandística do Governo, que colhe o aplauso dos fascinados pelo mundo onde a tecnologia deve ser omnipresente. Não estou com isto a negar a importância, o acrescento positivo que a tecnologia pode trazer ao ensino, mas corre-se um risco muito grande ao não se ensinar bem aquilo que é básico, para se passar logo aos gadgets e à utilização massiva da informática. É como construir uma casa pelo telhado.
Uma coisa era os meninos terem um computador na sua sala, cuja utilização o professor controlaria muito mais eficazmente e só introduziria esse elemento quando fosse mais adequado, outra coisa é os miúdos todos terem o computador à frente nas suas mesas. É como Pacheco Pereira diz, é no computador que vão aprender a escrever? Onde está o contacto físico com um papel, os lápis, o rabiscar? Não é necessário isto, caros deslumbrados tecnológicos? Eu digo é! E, quanto mim, e não descartando a existência de quadros interactivos, ou computadores presentes na sala de aula, a boa formação escolar será aquela que permite aos jovens ter sólidos conhecimentos de base, bem ancorados, para depois sim, saberem fazer uso da tecnologia, mas não começar com a tecnologia e deixar o básico, com a falsa crença de com o domínio da tecnologia vem o resto. Há dias vi algo que me deixou perplexo. Vi escrito num blog que o que interessava era que os jovens soubessem fazer uma boa pesquisa na internet, nos motores de busca, para fazerem um trabalho sobre um assunto qualquer. E fiquei perplexo porque pensei, pois muito bem, sabem fazer a pesquisa, encontram "n" informações sobre esse assunto, mas se não têm conhecimentos sólidos sobre as coisas, como é que vão ter capacidade crítica e de descernimento para avaliar a qualidade e a credibilidade da informação que têm à frente? É que, convenhamos, não podemos acreditar em tudo o que nos aparece na rede, até porque qualquer um de nós pode colocar qualquer tipo de informação a circular.
Não vejam nas minhas palavras uma rejeição da tecnologia, bem pelo contrário, acho que devemos é usá-la bem, para nos ajudar a um verdadeiro progresso civilizacional (com todas as suas componentes), e não sermos dominados por ela e tornarmo-nos reféns da mesma.
Mas leiam com a eloquência habitual as palavras brilhantes de José Pacheco Pereira:
http://abrupto.blogspot.com/2008/10/coisas-da-sbado-retratos-de-um-sonho.html
(imagem retirada de www.masternewmedia.org)
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