18 de setembro de 2008

Polémico

(www.uc.pt)


Eu concordo! Mas acho que vai levantar alguma polémica. Um investigador da Universidade de Coimbra, Carlos Barros Gonçalves, defendeu recentemente, na sua tese de doutoramento, que a tão propalada capacidade ética desportiva de forjar o carácter não passa de um mito. O investigador defende que para quem pratica desporto, o que interessa é mesmo a competição e os resultados, e que os treinadores não têm, em geral, qualquer preocupação formativa da dimensão humana dos atletas. Diz ainda o investigador da UC que os próprios pais podem desincentivar esta componente ética ao exigirem resultados aos filhos, para que sejam os melhores, já que as actividades desportivas são hoje a principal fatia das actividades extra-escola.


Quem quiser ler o artigo de Carlos Barros Gonçalves, publicado na Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, em que este resume o seu estudo, pode fazê-lo aqui:

Para quem preferir um resumo muito claro, e em termos leigos, das conclusões do estudo pode ler este documento publicado pela UC:

3 comentários:

Anónimo disse...

Efectivamente a pressão desportiva é algo que está sempre presente num atleta. Seja por parte da sua equipa técnica, seja pela sua família e amigos. E isso foi bem notório, nos últimos jogos olímpicos. Não foi difícil ver em alguns atletas a pressão da competição. Porém o exemplo não é o melhor, visto que se trata de altas competições. Mas posso dizer que sou de opinião concordante com o estudo em causa. Existe nas práticas desportivas grande pressão, deixando-se de lado a ética, que deveria predominar no espírito dos desportistas e atletas.
Mas eu pergunto: será que essa falta de ética só se verifica no desporto?
Infelizmente nos tempos que correm, a nossa visão faz-nos olhar para esta sociedade como algo viciado, em que valores fundamentais são postos para segundo plano.
Por isso só posso concluir que, antes de levar ética ao desporto é necessário trazê-la de volta a nossa sociedade, para que se possa exigir, em seguida, um bom caminho nas práticas desportivas.


Sílvia Oliveira

Alberto Fernandes disse...

Obrigado pelo teu comentário Sílvia! De facto não será só no desporto que impera essa falta de ética. Mas muitas vezes querem-nos vender a ideia de que aí é um domínio onde se está pelas melhores razões. Ora já sabemos que na alta competição está tudo muito desvirtuado, e quando eu dizia concordo com o estudo era mais na perspectiva da violência que se abate sobre muitas crianças e adolescentes que perdem a juventude para tirarem centésimas a um qualquer recorde e estão sujeitas a uma pressão indizível. Não defendo aqui que o desporto se torne num floreado sem competição e onde não haja vencedores nem vencidos, até quando isso se vê pelo mérito do vencedor. Eu não gosto de perder "nem a feijões", especialmente se tiver razões para isso, mas não utilizo todos os meios para atingir determinados fins. É contra isso que estou contra, e também contra pais que inscrevem os seus filhos nas "escolinhas" de alguma modalidade e começam a entrar numa espécie de histeria e a pressionar os miúdos para se tornarem no próximo Ronaldo. E o que deveria ser para fortalecer físico e mente torna-se num grande fardo para a criança.

Jorge Abreu disse...

Concordo com a quase totalidade do estudo e do teu post Alberto!
Realmente, hoje em dia, cada vez mais se desvirtuam os valores que deviam ser associados ao desporto, e valoriza-se apenas a componente do ganhar a "todo o custo"!
Infelizmente, não foi para isso, com toda a certeza, que por exemplo os Gregos iniciaram as Olimpiadas, em que ganhar era importante mas mais importante que isso era o esforço individual de cada um fazia para ganhar de maneira limpa e honrada, e em que todos eram respeitados, fossem vencedores ou vencidos!
Mas como em tudo na vida e na sociedade, ainda existem aqueles que conseguem valorizar o Desporto e é a esses que devemos prestar atenção e todos os apoios, como são exemplo as imensas actividades amadoras patrocinadas por colectividades que pouco ou nada recebem do Estado e que conseguem tirar ou afastar dos maus vícios milheres de jovens do nosso país!