
Confesso que sempre que ouço alguém a dizer isto, fico logo à espera do resto. E o resto é que nos países nórdicos tudo é perfeito, tudo é organizado de maneira impecável, tudo é exemplar, em suma, uma sociedade modelo. Eu confesso que me repugna essa ideia da perfeição absoluta, não que não procure o perfeccionismo naquilo que faço, mas uma coisa é tentar ser sempre melhor, outra bem diferente é criar um ambiente artificial, onde se faz de conta que os problemas não existem, que tudo corre como no paraíso celestial. Ora, eu penso isso dos países nórdicos. Creio que são sociedades muito artificiais, onde o inconformismo humano foi domado, está mantido numa cerca, onde não há creatividade e a vida é acromática. Não que tenha dúvidas que haja muitas coisas que lá funcionam bem e que cá funcionam mal, não que duvide que podemos aprender coisas com eles. Agora, sou contra a ideia de decalcar soluções de lá para cá, e acima de tudo, sou contra uma sociedade dita perfeita, onde o espírito humano acaba por estar agrilhoado, apesar de parecer que não, e onde, de repente, há uma explosão na cerca, porque a contenção estava no limite, e um miúdo, com licença de uso e porte de arma, faz um vídeo exibicionista no You Tube, no dia seguinte mata dez colegas e a seguir mata-se a si próprio. Nos países nórdicos é que é...
E é também a Finlândia, de acordo com o jornal Público, que está no terceiro lugar do pódio do número de armas a nível mundial (andarão todos na caça grossa?), e é nos países nórdicos que se registam as mais altas taxas de suicídio da Europa. Nos países nórdicos é que é.
2 comentários:
Concordo plenamente contigo! Nós, por cá, temos a mania de que la fora, em especial nos países nórdicos, tudo é perfeito, a nivel económico e social! Ora, esses dados que referiste vêm desmistificar esses preconceitos que temos!
Afinal, nem tudo é perfeito, e até nos podemos orgulhar dos nossos traços característicos, isto sem nunca esquecer de tentar importar e moldar os bons exemplos la de fora!
Para defesa dos finlandeses, as elevadas taxas de suicídio têem também causas naturais, como o clima e a falta de luz solar que afectam negativamente a estabilidade psicológica dos indivíduos que aí residem. Combinem isso com uma venda quase livre de armas e o resultado nunca pode ser bom. No entanto, é verdade que da asfixia do indivíduo em prol da eficiência social resultam situações opressivas, as quais levam a comportamentos que visam a autolibertação a qualquer custo, como o suicídio e o consumo de drogas, também ele elevado nas regiões do norte da Europa.
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